CineBH anuncia os vencedores de sua 20ª edição; confira a lista completa de premiados

A 20ª CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte chegou ao fim no último domingo (27), com a cerimônia de encerramento realizada no Cine-Theatro Brasil, em Belo Horizonte. O evento anunciou os vencedores das Mostras Horizonte e Território, além dos projetos contemplados na 17ª edição do Brasil CineMundi, encontro internacional dedicado à coprodução cinematográfica.

Entre os destaques da premiação estão o mexicano Nuestro Cuerpo es una Estrella que se Expande, de Semillites e Tania Hernández Velasco, vencedor da Mostra Território, e Cuba y la Noche, de Sérgio Fernández Borrás, que conquistou o prêmio de melhor longa-metragem da Mostra Horizonte.

A edição deste ano apresentou 12 filmes nas duas mostras competitivas, sete deles dirigidos por mulheres. As obras exploraram diferentes perspectivas sobre o futuro da humanidade, as transformações do mundo contemporâneo e os desafios enfrentados pelo cinema independente.

Filmes latino-americanos se destacam na premiação

Na Mostra Território, o prêmio de melhor filme ficou com Nuestro Cuerpo es una Estrella que se Expande, produção mexicana dirigida por Semillites e Tania Hernández Velasco. O júri oficial, composto por Alice Riff, Gregorio Rodríguez e Wilssa Esser, destacou a experimentação estética e a capacidade da obra de propor novas formas de pensar o cinema e a relação com o mundo.

Em seu discurso, as diretoras celebraram a conquista, a primeira da dupla, e ressaltaram a importância de um cinema transrevolucionário e resistente. Tania Hernández Velasco também destacou o significado de apresentar o filme na mostra, mencionando a conexão com a América Latina e a importância de reconhecer as próprias raízes.

O júri também concedeu uma menção especial ao brasileiro Telúrica: A Íntima Utopia, de Mariana Lacerda. O filme foi reconhecido pela maneira como dá visibilidade aos processos criativos da Cia. Teatral Ueinzz, trazendo à existência experiências e perspectivas que nem sempre encontram espaço.

Já o Prêmio Abraccine, concedido pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema, foi para La Vida que Vendrá, da cineasta chilena Karin Kuyul, em coprodução com a Colômbia. A produção foi reconhecida pelo trabalho de pesquisa em arquivos históricos e pela articulação entre memórias pessoais e acontecimentos que marcaram a história da América Latina.

Na Mostra Horizonte, o grande vencedor foi Cuba y la Noche, de Sérgio Fernández Borrás, coprodução entre Cuba, Espanha e Colômbia. O júri, formado por Cíntia Lima, Clarisa Navas e Marcos Pimentel, destacou a construção narrativa do longa e suas escolhas estéticas e políticas ao abordar as relações entre Estado e sociedade no ambiente virtual.

Ao receber o prêmio, o diretor dedicou a conquista aos artistas perseguidos e às mães cubanas que lutam pela libertação de seus filhos presos políticos.

O júri da Mostra Horizonte também concedeu uma menção especial a Sabes de Mim, Agora Esqueça, de Denise Vieira, longa de estreia que chamou a atenção pelas escolhas estéticas e narrativas, pelas atuações espontâneas e pela abordagem da sexualidade.

Outra novidade desta edição, o Júri Jovem, formado pelos estudantes Erik Abreu, Lucas Enrique e Sharon Fernandes, premiou o mexicano Jankee, de Yamel Thompson. O filme foi reconhecido por sua abordagem documental, que questiona as convenções narrativas e explora os limites da intimidade entre quem filma e quem é filmado.

Brasil CineMundi premia projetos brasileiros

Além das mostras competitivas, a cerimônia de encerramento também anunciou os projetos premiados na 17ª edição do Brasil CineMundi, iniciativa que conecta realizadores a profissionais e instituições do mercado audiovisual, incentivando o desenvolvimento de filmes e futuras coproduções internacionais.

O prêmio principal do júri oficial, composto por Joana Oliveira, Fred Burle e Jesús Pimentel, foi concedido a Muganga, projeto de Rodrigo Ribeyro, produzido por Julia Alves. A comissão destacou a proposta artística, a relevância contemporânea e o potencial de circulação nacional e internacional da produção.

Na categoria Work in Progress, o Prêmio O2 Pós foi dividido entre Bom Retorno, de Breno Alvarenga, e Fogo Adentro, de Daniel Calil. O primeiro também recebeu o Prêmio Mistika, enquanto Sol a Pino, de Ana do Carmo, conquistou o Prêmio The End.

Entre os projetos da categoria Foco Minas, A Luta que Não Pode Parar, de Ewerton Belico, recebeu o prêmio Cinecolor/CTAV/Edina Fujii/Parati Films e também foi contemplado pelo DocSP Study Center.

Outro destaque foi Aña, de Mariana Lacerda, que recebeu os prêmios DocBrasil, Conecta e Casa Latina Films. Este último também premiou Coração Americano, de Aiano Benfica, que conquistou ainda o reconhecimento do Eurodoc.

O documentário Primas, de Bruno Barreto, também teve uma participação expressiva na premiação, recebendo os prêmios DOCSP, Forum RIDM e uma das distinções do #LINK. O outro prêmio do #LINK foi concedido a Em Nome do Pai e do Filho, de Gabriel Freire.

A lista de projetos contemplados inclui ainda O Presidente Negro, de Gabriel F. Marinho, selecionado pelo Nuevas Miradas; Cavalo, de Valentina Homem, vencedor do Prêmio Burning; e Boi de Conhas, de Daniel Barbosa, premiado pelo Mecas.

Já o MAFF – Málaga Festival/Projeto Paradiso reconheceu Kiki – Uma Ponte Entre Mundos, codirigido por Dario Aldana, Werá Alexandre e Patrícia Para Yxapy.

A produtora mineira Filmes de Plástico também concedeu seus prêmios a dois projetos: Dona da Minha Cabeça, de Nash Laila, e BPM: Batidas pelo Mundo, de Gabriel Marcos, este último contemplado com uma menção especial.

20 anos de CineBH

Realizada entre os dias 22 e 27 de setembro, a 20ª CineBH integrou o programa Cinema sem Fronteiras 2026, idealizado pela Universo Produção, ao lado da Mostra de Cinema de Tiradentes e da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto.

Ao longo de sua trajetória, a CineBH consolidou-se como um espaço de exibição e discussão do cinema contemporâneo, com atenção especial à produção latino-americana e às possibilidades de intercâmbio entre realizadores.

A programação da edição de 2026 foi gratuita e ocupou diferentes espaços culturais de Belo Horizonte, incluindo o Cine-Theatro Brasil, a Fundação Clóvis Salgado, o Cine Belas Artes e o Cine Santa Tereza.

Confira a lista completa dos premiados da 20ª CineBH

MOSTRA HORIZONTE

  • Melhor Longa-Metragem (Júri Oficial): Cuba y la Noche, de Sérgio Fernández Borrás.
  • Destaque do Júri Oficial: Sabes de Mim, Agora Esqueça, de Denise Vieira.
  • Melhor Longa-Metragem (Júri Jovem): Jankee, de Yamel Thompson.

MOSTRA TERRITÓRIO

  • Melhor Longa-Metragem (Júri Oficial): Nuestro Cuerpo es una Estrella que se Expande, de Semillites e Tania Hernández Velasco.
  • Destaque do Júri Oficial: Telúrica: A Íntima Utopia, de Mariana Lacerda.
  • Prêmio Abraccine: La Vida que Vendrá, de Karin Kuyul.

17º BRASIL CINEMUNDI

  • Júri Oficial: Muganga, de Rodrigo Ribeyro.
  • O2 Pós – 1º Projeto: Bom Retorno, de Breno Alvarenga.
  • O2 Pós – 2º Projeto: Fogo Adentro, de Daniel Calil.
  • Mistika: Bom Retorno, de Breno Alvarenga.
  • The End: Sol a Pino, de Ana do Carmo.
  • Foco Minas – Cinecolor/CTAV/Edina Fujii/Parati Films: A Luta que Não Pode Parar, de Ewerton Belico.
  • DocBrasil: Aña, de Mariana Lacerda.
  • Conecta: Aña, de Mariana Lacerda.
  • DOCSP: Primas, de Bruno Barreto.
  • DOCSP Study Center: A Luta que Não Pode Parar, de Ewerton Belico.
  • #LINK – 1º Prêmio: Em Nome do Pai e do Filho, de Gabriel Freire.
  • #LINK – 2º Prêmio: Primas, de Bruno Barreto.
  • Forum RIDM: Primas, de Bruno Barreto.
  • Eurodoc: Coração Americano, de Aiano Benfica.
  • Casa Latina Films – 1º Prêmio: Coração Americano, de Aiano Benfica.
  • Casa Latina Films – 2º Prêmio: Aña, de Mariana Lacerda.
  • Nuevas Miradas: O Presidente Negro, de Gabriel F. Marinho.
  • Burning: Cavalo, de Valentina Homem.
  • Mecas: Boi de Conhas, de Daniel Barbosa.
  • MAFF/Projeto Paradiso: Kiki – Uma Ponte Entre Mundos, de Dario Aldana, Werá Alexandre e Patrícia Para Yxapy.
  • Filmes de Plástico: Dona da Minha Cabeça, de Nash Laila.
  • Filmes de Plástico – Menção Especial: BPM: Batidas pelo Mundo, de Gabriel Marcos.
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