Crítica | “O Mal Que Nos Habita” conduz o espectador até as profundezas do inferno

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Existem filmes de terror capazes de gerar um desconforto avassalador, como é o caso das obras de Ari Aster (Hereditário, Midsommar). Contudo, também há aqueles que, de maneira insidiosa, conduzem os espectadores até as profundezas do inferno, nos envolvendo em uma atmosfera perturbadora, como é o caso de O Mal Que Nos Habita (When Evil Lurks).

O filme argentino, dirigido por Demián Rugna, conquistou notoriedade graças ao boca a boca do público, se destacando em um cenário contemporâneo de filmes de terror que muitas vezes carecem de originalidade, especialmente no ano passado.

A produção – que chega agora ao Brasil pela Paris Filmes – é habilidosa em arrepiar os cabelos da nuca, tecendo uma narrativa aterrorizante que, acima de tudo, flerta com a singularidade do cinema latino. É admirável a coragem do filme ao subverter a fórmula tradicional, ao mesmo tempo que se mantém fiel às nuances perversas do bom e velho cinema de possessão.

A trama e o elenco de O Mal que Nos Habita

É surpreendente que O Mal Que Nos Habita seja a estreia do cineasta em uma produção de grande escala. Rugna reimagina a possessão demoníaca como um surto viral, uma abordagem criativamente semelhante ao que foi feito em Fale Comigo no ano passado. Isso evidencia que o diretor não se limita a um único truque no gênero.

A trama – com ares de A Morte do Demônio – se desenrola quando os irmãos Pedro (Ezequiel Rodríguez) e Jimmy (Demián Salomón) descobrem uma infecção demoníaca que se alastra por uma fazenda próxima, contaminando o gado local. Ao tentarem expulsar a vítima de suas terras sem recorrer aos ritos adequados de exorcismo, suas ações imprudentes inadvertidamente desencadeiam uma epidemia de possessão em toda a comunidade rural.

Agora, eles se veem obrigados a fugir de um mal invasor que corrompe e mutila todos que encontra, contando apenas com a ajuda de um “exorcista” enigmático, que possui as únicas ferramentas capazes de deter essa praga sobrenatural.

O enredo constrói gradualmente uma atmosfera de caos e medo que permeia todos os ambientes putrefatos. O filme, destemido ao explorar feridas profundas, apresenta cenas perturbadoras que incluem até mesmo crianças, um aspecto muitas vezes poupado em produções menos ousadas.

Aqui, Rugna desafia os limites do horror. Ninguém está a salvo e o mal ameaça dominar tudo em seu caminho. A ausência de sofisticação no filme torna o ataque infernal ainda mais impactante e verossímil. O diretor se recusa a desviar o olhar de imagens grotescas que retratam atos de violência, ignorando qualquer bom senso tradicional.

Cenários suburbanos bucólicos se transformam em terreno fértil para a proliferação do ódio, que permeia toda a produção. A sensação constante de solidão confere ao filme uma atmosfera de drama pós-apocalíptico bastante singular, enquanto o elenco principal domina a tela com performances brilhantes. Os irmãos são personagens meticulosamente construídos, e a dinâmica entre eles intensifica a trama, pois nos conectamos emocionalmente com seus destinos em meio a esse caos violento. Mesmo assim, algumas decisões não funcionam tanto e o desfecho, infelizmente, deixa a desejar.

Veredito

Com seu ritmo frenético e produção modesta, O Mal Que Nos Habita evoca aquela sensação perturbadora de estarmos testemunhando algo profano, algo que talvez não devesse ser visto. Quando o roteiro se revela malévolo, é quase como se desejássemos adquirir um frasco de água benta após sair da sessão. A maestria do cineasta Demián Rugna na criação de uma agonia visual é um verdadeiro deleite para os olhos, especialmente para os fãs mais sádicos do gênero.

O filme ousa brincar com um senso de humor ácido e perverso, sem comprometer a qualidade de um thriller de terror ansioso por inovar e subverter as regras dos já desgastados filmes de possessão. A herança deixada por clássicos como A Morte do Demônio e O Exorcista faz jus ao extraordinário e macabro cinema de terror espanhol.

NOTA: 9/10

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