Crítica | Nosso Sonho – Batidas emocionais em filme para passar em Hollywood

O mês se revela em ritmo de funk carioca, que alcança os holofotes internacionais. Se Anitta brilhou no VMA, Nosso Sonho faz a telona pulsar em batidas interessantes. A cinebiografia de Claudinho e Buchecha nos faz viajar pela impressionante trajetória da dupla que transportou o funk das vielas cariocas para os grandiosos palcos da televisão e rádios nacionais.

Enquanto hoje os artistas colhem a glória da Era Spotify, é imperativo reverenciar aqueles que conquistaram o mundo sem o auxílio da internet. O filme, em sua simplicidade emocional, carrega uma potência que conecta o espectador com a memória afetiva dos anos 2000.

A trama e o elenco de Nosso Sonho

De fato, Nosso Sonho não é uma cinebiografia tradicional e opta por decisões mais simples. O filme é, acima de tudo, uma homenagem à luminosidade de Claudinho, cuja estrela se apagou precocemente em 2002, no auge de sua fama. Transitando entre premonições e os icônicos hits do funk melody, o roteiro desenha Claudinho como uma espécie de anjo guardião de Buchecha, influenciando não apenas a carreira, mas a vida de todos que os rodeavam.

Centralizado na amizade que floresceu entre os dois, desde sua infância em São Gonçalo, a trama destila a complexa relação de Buchecha com seu pai, lançando luz às adversidades da vida precoce. O filme nos embala através da história pulsante do funk e da vivência da comunidade negra carioca, retratando um rico tapeçário da identidade brasileira que por vezes nos esquecemos de reverenciar.

A direção de Eduardo Albergaria (Happy Hour: Verdades e Consequências) é afinada, capturando a essência da trajetória da dupla. A obra, embora econômica nas sequências musicais, utiliza os hinos de Claudinho e Buchecha como condutores da narrativa. O orçamento enxuto não impediu a produção de traçar um retrato fiel e envolvente, graças à criatividade em narrar sem se perder em ostentações. O projeto encontra boas soluções para suas limitações estéticas, mas, apesar disso, fica evidente que um pouco mais de engenhosidade teria funcionado melhor.

A performance do elenco é a cereja desse bolo sonoro. Juan Paiva (M8 – Quando a Morte Socorre a Vida) encarna Buchecha com destreza e sensibilidade, enquanto Lucas Penteado (Espero Tua (Re)volta), vivendo Claudinho, traz à tela uma energia contagiante. A sintonia entre ambos é palpável, tornando a experiência cinematográfica ainda mais imersiva.

Nando Cunha (Os Suburbanos: O Filme), como o pai autoritário e impositivo, apresenta uma densidade que adiciona camadas ao enredo. Apesar de algumas escolhas do roteiro em manter partes mais obscuras ao largo, o filme consegue emocionar nos detalhes e nos transportar para uma época icônica através das canções que marcaram gerações.

Veredito

Em meio a premonições e ritmos contagiantes, Nosso Sonho faz jus ao legado da dupla, podendo, quem sabe, reverberar até mesmo em Hollywood, conforme “profetizado” em um dos seus hits. Uma saga real permeada de magia e musicalidade, demonstrando como a poesia das periferias conquistou corações Brasil afora.

Optando por uma abordagem mais suave, o filme se configura como uma celebração à Claudinho e ao funk carioca. As imperfeições do roteiro e as limitações do orçamento são superadas pelo talento do elenco e pela nostalgia que as canções evocam. E, como bem lembra a letra que embala a trajetória da dupla: “…e se ninguém gostar não tem problema…”, afinal, Nosso Sonho é, sem dúvida, um filme que ressoa diretamente ao coração.

NOTA: 8/10

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