Crítica | Agente Stone – Uma missão nada impossível (e genérica)

Para começo de conversa, que timing péssimo de lançamento. Há um dito popular que diz que “imitação é a forma mais sincera de elogio”. Se for esse o caso, então Missão: Impossível 7 deve se sentir profundamente elogiado. O lançamento de Agente Stone (Heart Of Stone) na Netflix parece um eco desvanecido de sua contraparte mais célebre.

Se Tom Cruise é o ás das missões impossíveis, Gal Gadot (Mulher-Maravilha – e outras tantas pontas na DC) surge quase como um Cruise de peruca, tentando pilotar um filme precário, mais pensado para streaming do que para a tal da grandiosidade das telonas. Pode-se dizer que estamos diante de um Frankenstein cinematográfico: costurando fragmentos de grandes sucessos de ação. O resultado? Uma colagem que beira o caricato, remendada de sucessos mais notáveis.

A trama e o elenco

Na trama dirigida pelo incomum Tom Harper, conhecido por seu trabalho em Peaky Blinders, mas aqui lembrando mais seu toque no terrível A Mulher de Preto 2, temos a agente de elite Rachel Stone (Gadot) navegando por um terreno perigoso. Ela é a guardiã de um segredo gigantesco, a única barreira entre uma organização misteriosa e a posse do objeto mais valioso e perigoso da instituição: o Coração. Ainda que cercada por um elenco de peso que inclui Jamie Dornan, Matthias Schweighöfer, Alia Bhatt e Sophie Okonedo, Gadot até se esforça para se destacar, mas fica presa em uma narrativa que mais parece ter sido gerada por um algoritmo.

E enquanto seu carisma inegável ainda consegue seduzir a audiência, a narrativa em si é um amontoado de clichês e reviravoltas previsíveis. A inteligência artificial, vilã da história, parece ecoar o roteiro, como se uma máquina tivesse amalgamado diversos outros scripts de sucesso, perdendo, no processo, a alma da proposta – assim como sua rasa crítica social ao uso descontrolado de IA. Embora exista um esforço palpável em inovar aqui e ali, a mistura exagerada de informações e a aderência estrita à fórmula básica tornam o filme uma experiência confusa.

Tecnicamente, o filme tem seus momentos. As cenas de ação, embora competentes, são previsíveis e gravadas à noite, possivelmente para esconder imperfeições. O brilho visual, que poderia ter sido um trunfo, acaba se perdendo na escuridão. Harper, mesmo com sua habilidade, parece estar dirigindo com o freio de mão puxado, entregando um produto que se acomoda em ser mediano, quando poderia ter aspirado à grandeza.

Veredito

Agente Stone representa um dilema que a Netflix enfrenta frequentemente: como criar algo novo quando o molde já está tão desgastado? O filme flerta com o potencial, mas se acovarda diante da inovação. Enquanto a plataforma continua a entregar espelhos desbotados de blockbusters, é o espectador que fica refletindo sobre o que poderia ter sido.

Em uma era saturada de ação e espionagem, o esforço de Gal Gadot nessa missão nada impossível se perde na multidão e vira uma sombra que luta para se destacar na luz de gigantes. Tinha tudo para ser espetacular, mas escolhe a zona de conforto, e no grande jogo de xadrez do cinema, a plataforma de streaming precisa repensar seus movimentos se quiser fazer xeque-mate.

NOTA: 5/10

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