Crítica | The Voyeurs – Janela Indiscreta encontra 50 Tons de Cinza

Se o mestre do suspense Hitchcock tivesse nascido na Era das adaptações de livros eróticos para o cinema – febre que se consagrou com pérolas como a franquia 50 Tons de Cinza – certamente essa teria sido a tal “janela indiscreta” que faria. Afinal, o que poderia ser mais indiscreto do que assistir e desejar a vida sexual de um casal de vizinhos sarados e perfeitos, que fazem sexo explícito na frente da janela para que o bairro inteiro possa assistir? Brincadeiras à parte, há sim a formula hitchcockiana em The Voyeurs, novo filme original do Amazon Studios, que flerta com o fetiche do voyeurismo para justificar uma trama repleta de reviravoltas, que mantém seu mistério na curiosidade do público de saber o motivo da grama do vizinho ser mais verde. Mas a sucessão de decisões ruins do roteiro acaba por expor as falhas da premissa que, a primeira vista, soa interessantíssima.

A trama e o elenco

Além de Janela Indiscreta, há uma clara influência de Dublê de Corpo (1984) e The Voyeurs começa com um típico e meloso casal formado por Pippa (Sidney Sweeny, de Euphoria) e Thomas (Justice Smith), que se muda para um apartamento que nenhum jovem de Nova York seria capaz de pagar.

Ao se adaptarem a nova casa e a falta de química no sexo – apesar de estarem visivelmente apaixonados um pelo outro – eles começam a observar os vizinhos, em especial, um casal igualmente jovem, artístico, no prédio da frente. Aos poucos, descobrem que o galã de filme pornô é fotógrafo e se chama Seb (Ben Hardy). Além de se aproveitar da profissão para assediar jovens modelos, ainda tem o habito de trair sua esposa, Julia (Natasha Liu Bordezzo).

Desse emaranhado de desejo, curiosidade e tesão, não apenas pelo parceiro sexual do outro, como também pela vida aparentemente perfeita, a trama constrói um bom suspense em torno da dinâmica e apimenta com cenas picantes do bom e velho soft porn.

É claro que não demora muito para surgir tretas cabulosas e pôr a relação do quarteto em jogo. Enquanto uma dupla detém o amor e a doçura um pelo outro, a outra possui o sexo mais acalorado. O que realmente importa?

Bom, pela quantidade de cenas de nudez, certamente o roteiro sabe o que o público desse tipo de obra busca. Mas, felizmente, de quebra ganha um pouco mais que o habitual.

O elenco é excelente – destaque para talentosa Sidney Sweeny e a boa atração física com Smith -, assim como a trilha sonora, com músicas sexuais. A narrativa, por sua vez, repleta de metáforas visuais hilárias (como a protagonista voyeur trabalhar em uma ótica… tipo, sério?), consegue envolver. Pelo menos até o clímax chegar e a efervescência dar lugar ao improvável.

A grande revelação, que acontece no meio do filme, é muito efetiva. Posso até dizer um pouco de cair o queixo. Depois disso, o último ato é uma lição de como fazer uma narrativa exagerada e uma espantosa falta de autoconsciência do roteiro. 

O desfecho é desnecessário e joga na lata do lixo tudo que estava sendo construído de coerente até então. No intuito de chocar o público em seu último momento de excitação, desperdiça a chance de explorar temas de relacionamentos reais, amáveis ​​e imperfeitos vs. aqueles que você assiste para se divertir.

Por outro lado, a condução de Michael Mohan (Everything Sucks!) é enérgica e não deixa a falta de história cair no tédio. O diretor investe em planos fechados para expressar o desejo das personagens e até consegue ser sofisticado na abordagem, uma pena que pesa a mão na galhofice e faz o final ser memoravelmente ridículo.

Conclusão

Para um suspense erótico convencional, The Voyeurs até diverte, intriga e excita com suas perversões e fetiches selvagens, mas a premissa se esgota antes que a trama possa, de fato, alcançar seu ápice de prazer. O roteiro abre mão dos mistérios para entregar um desfecho exagerado, desnecessário e – perdão o trocadilho – brochante. Uma pena, tinha potencial.

O elenco é delicioso e a direção tem a maestria de como filmar cenas picantes sem cair em previsibilidades (ainda que siga a visão masculina e expõe bem mais o corpo feminino). Um pouco menos de ambição e mais de inteligência teria funcionado para esse soft porn.

Nota: 6/10

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