Aos 89 anos de idade, um dos maiores atores brasileiros retorna ao estrelato no curta-metragem ‘A Volta Para Casa’, produzido pela Parakino Filmes. Lima Duarte abaixa a guarda para viver Plínio, um humilde e solitário senhor que mora em uma casa de repouso em São Paulo. Com uma forte carga emocional, o diretor Diego Freitas (O Segredo de Davi) explora a solidão da velhice e, na mesma vibe de ‘Como se fosse a primeira vez’ (2004), apresenta uma obra tocante e eficiente em sua fórmula.

Como o diretor fez no ótimo ‘O Segredo de Davi’, há muito mais nas camadas submersas do roteiro do que vemos e o curta provoca diversas sensações, mesmo com a duração reduzida, a eficiência está na reflexão que propõe. Lima Duarte brilha, com sua naturalidade e carisma, e consegue segurar o papel com facilidade, elevando ainda mais a carga emocional, também auxiliado pelo trabalho da direção de fotografia (com luz natural que provoca nostalgia) e o foco seletivo do olhar sensível de Freitas.

A música, em piano, também desempenha um trabalho interessante e guia a emoção do espectador pelas cenas mais comoventes, que perpetua desde sua abertura até seu desfecho tocante e, por tratar temas como memórias e lembranças, há uma forte sensação de melancolia na linguagem visual e um ritmo mais lento e dramático, que acaba equilibrando com o tom involuntariamente cômico do texto do protagonista.

‘A Volta para Casa’ é delicado, comovente e utiliza um homem que está perdendo sua memória como metáfora para mostrar as mudanças constantes pela quais passamos. Certamente uma obra eficiente, direta e feita com muita sutileza, que deixa um gostinho de que merecia ser um longa-metragem de tão imersiva.

O curta será exibido em alguns festivais nos próximos meses. Confira o trailer:

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