Imagina crescer acreditando que seu pai é um herói… e descobrir que ele é um dos criminosos mais perigosos da história.
Essa é a premissa de Dear Killer Nannies: Criado por Assassinos, nova série que chega ao Disney+ trazendo uma perspectiva diferente sobre a história de Pablo Escobar — agora vista pelos olhos de seu filho, Juan Pablo Escobar.
Após assistir aos três primeiros episódios, a produção deixa claro desde o início que sua proposta não é revisitar o narcotráfico da mesma forma que já vimos em outras obras, como Narcos, mas sim explorar o impacto emocional e psicológico desse universo sob a ótica de uma criança.
Índice
Os acertos e erros de Dear Killer Nannies: Criado por Assassinos

A trama acompanha Juampi, um menino que cresce cercado de luxo em Medellín, enxergando o pai como um empresário generoso e quase um benfeitor da comunidade. Ao seu redor, porém, estão sempre presentes homens armados — seus guarda-costas. Com o tempo, esses homens deixam de ser apenas seguranças e passam a ocupar um papel afetivo em sua vida, tornando-se amigos, cuidadores… quase babás.
O contraste vem quando entendemos quem eles realmente são: sicários, assassinos contratados para proteger a família Escobar a qualquer custo.
À medida que Juampi cresce, essa visão idealizada começa a ruir. A série constrói, de forma gradual, a quebra dessa inocência, mostrando como o protagonista passa a perceber que o mundo em que vive está longe de ser aquilo que sempre acreditou — e que seu pai está no centro de tudo isso.
Criada e narrada pelo próprio Juan Pablo Escobar, a série ganha ainda mais peso por se basear em relatos reais. Para quem se interessou pela abordagem de Narcos, aqui existe um complemento interessante: não se trata da guerra do narcotráfico em si, mas das consequências dessa guerra dentro de casa.

No elenco, John Leguizamo assume o papel de Pablo Escobar — uma escolha que inevitavelmente gera comparações com Wagner Moura em Narcos. No entanto, a proposta aqui é diferente. A atuação e caracterização de Leguizamo não buscam protagonismo absoluto, já que a figura de Escobar funciona mais como pano de fundo. O foco está nas consequências de suas ações, e não necessariamente em sua presença direta.
Um ponto que pode dividir opiniões é a estrutura narrativa. A série opta por não seguir uma linha cronológica, alternando entre infância, adolescência e momentos posteriores à morte de Escobar. Essa escolha parece buscar um ritmo mais dinâmico, mas pode causar certo estranhamento — especialmente para quem preferiria acompanhar a escalada dos acontecimentos de forma mais linear e gradual.
Visualmente, a produção se destaca. Gravada em locações na Colômbia, incluindo Bogotá e Medellín, e beneficiada por incentivos locais, a série recria com cuidado o ambiente das décadas de 1980 e 1990. São oito episódios de aproximadamente 35 minutos, dirigidos por Pablo Fenfrik e Felipe Cano Ibañez, com roteiro assinado por Alejandro Quesada, Ana María Parra, Martín Méndez e Sebastián Ortega.
O elenco principal inclui Janer Villareal, Miguel Tamayo e Miguel Ángel García interpretando diferentes fases de Juan Pablo, além de Laura Rodríguez, Juanita Molina, Julián Zuluaga e outros nomes que ajudam a construir esse universo complexo. Há ainda participações especiais como Carmen Electra e Andrés Delgado.

No fim, Dear Killer Nannies: Criado por Assassinos é uma série que aposta menos no espetáculo do crime e mais nas marcas que ele deixa nas pessoas. Uma história sobre inocência perdida, percepção e identidade — contada por quem viveu tudo isso de perto.
Para quem gosta de true crime e busca uma abordagem mais íntima e emocional, a série pode ser uma adição interessante à lista.
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