“Emergência Radioativa” é baseada em uma história real? Marcio é um físico nuclear de verdade? Conheça a história por trás da série

Criada por Gustavo Lipsztein, ‘Emergência Radioativa‘ é uma série dramática de suspense brasileira que narra a história de uma tragédia causada por negligência. A trama se passa em 1987, na cidade brasileira de Goiânia, onde dois catadores de sucata encontram uma estranha cápsula de aço em um Instituto de Radioterapia abandonado. Ao venderem o recipiente como sucata, acabam distribuindo, inadvertidamente, Césio-137, um material extremamente radioativo, pela cidade.

Quando as autoridades tomam conhecimento da contaminação radioativa na cidade, em parte graças à visita do físico nuclear Marcio, a propagação já ultrapassou em muito qualquer precedente. Como resultado, funcionários do governo, médicos e especialistas de campo precisam trabalhar juntos para implementar uma solução adequada de descontaminação, enquanto lutam para salvar as vidas dos contaminados. A série apresenta uma dramatização cinematográfica em ritmo acelerado do acidente real de Goiânia, ocorrido na cidade em 1987.

Emergência Radioativa é baseada na história real do acidente de Goiânia

‘Emergência Radioativa’ se passa na cidade de Goiânia, em Goiás, Brasil, que foi vítima de um acidente de contaminação radioativa em larga escala. O incidente real teve origem em uma unidade de teleterapia com Césio-137 abandonada por uma clínica particular de radioterapia.

O Instituto Goiano de Radioterapia, localizado em Goiânia, fechou no final de 1985 e, posteriormente, mudou-se da cidade. No entanto, não levou consigo o equipamento utilizado para o tratamento de câncer. Como resultado, dois anos depois, a unidade, que continha a perigosa substância Césio-137, permanecia nas instalações demolidas e abandonadas da clínica. Pior ainda, como o Instituto Goiano de Radioterapia não notificou as autoridades competentes sobre a presença desse equipamento, nenhuma medida de segurança adequada foi instalada ao seu redor.

Um desastre silencioso acabou por acontecer em 13 de setembro de 1987. Os catadores locais Roberto dos Santos Alves e Wagner Mota Pereira invadiram a clínica abandonada, onde encontraram o cilindro de aço que servia como fonte de radioterapia. Acabaram levando o cilindro consigo, sem saber que continha a substância altamente radioativa Césio-137.

Depois de abrirem o cilindro, os dois homens venderam a cápsula de chumbo que estava dentro dele para Devair Ferreira, dono do ferro-velho local. Ferreira descobriu o Césio-137 dentro da cápsula. No entanto, ele desconhecia o fato de que a substância era um isótopo perigoso. Como resultado, o dono do ferro-velho levou a substância azul brilhante e pulverulenta para casa, para sua família e vizinhos.

Emergência Radioativa destaca a bravura das pessoas que tornaram possível a operação de limpeza

Uma vez que o Césio-137 foi introduzido na vida dos moradores de Goiânia, o desastre era inevitável. Inicialmente, Devair Ferreira e as pessoas com quem ele compartilhava o produto químico, incluindo sua família, desconheciam completamente suas propriedades bioperigosas. As pessoas que entravam em contato com a substância adoeciam em massa.

No entanto, a contaminação por radiação nuclear era tão extrema que os sintomas foram diagnosticados erroneamente como doenças tropicais. Mesmo assim, a esposa de Ferreira, Maria Gabriela, continuava desconfiada do pó fosforescente, suspeitando que ele fosse o responsável pela tragédia. Por esse motivo, em 28 de setembro de 1987, ela o deixou no consultório de um médico.

Posteriormente, a bolsa chamou a atenção de um físico médico visitante, que a identificou como a fonte de um grande desastre radiológico. Imediatamente após o ocorrido, o Estádio Olímpico da cidade foi transformado em um centro de triagem para os pacientes potencialmente contaminados.

Nos dias seguintes, mais de 100.000 pessoas foram examinadas para possível contaminação, com 249 apresentando sintomas. Ao final, 20 pessoas foram diagnosticadas com síndrome da radiação aguda e necessitaram de tratamento médico intensivo. Quatro pessoas morreram, incluindo Maria Gabriela Ferreira, sua sobrinha de 6 anos e dois funcionários do ferro-velho de Ferreira.

Além disso, as autoridades realizaram diversas operações de descontaminação para garantir a segurança da cidade. Acusações de negligência criminosa foram feitas contra três médicos da clínica abandonada, e medidas de segurança radiológica foram implementadas no Brasil.

Uma História Real Contada Através de uma Lente Parcialmente Fictícia

A narrativa de ‘Emergência Radioativa’ é explicitamente baseada no Acidente de Goiânia e se inspira diretamente nas vidas das pessoas reais envolvidas na tragédia. No entanto, ao transpor o acidente para a tela, a série faz algumas alterações importantes. Os nomes dos personagens e instituições envolvidos na causa e na limpeza da tragédia são fictícios, diferentemente de suas contrapartes reais.

Além disso, certos detalhes são alterados nas vidas pessoais e profissionais dos personagens que interpretam as vítimas, políticos, profissionais da saúde e especialistas científicos.

Essa distinção reflete a disposição da série em usar licenças artísticas quando necessário para servir à narrativa. Personagens como Antônia, a contraparte de Maria Gabriela na tela, o Dr. Eduardo, que trata os pacientes contaminados pela radioatividade, e Roberto Correia, o governador da cidade, possuem detalhes que desviam seus caminhos na tela das vidas de suas contrapartes reais. Em última análise, essas distinções servem apenas a um propósito narrativo e não comprometem o compromisso da série com a precisão histórica ao retratar a verdadeira história da tragédia.

Marcio é parcialmente inspirado por um físico da vida real

Apesar de alterar os nomes das pessoas envolvidas no Acidente de Goiânia de 1987, ‘Emergência Radioativa’ apresenta uma representação bastante fiel da realidade. Consequentemente, o personagem de Márcio, protagonista da série, também encontra fundamento na realidade.

O personagem é claramente baseado no físico médico Walter Mendes Ferreira que visitou a cidade e utilizou seu contador de cintilação para identificar a radioatividade do material radioativo deixado por Maria Gabriela Ferreira. Segundo os registros, após Gabriela deixar o material radioativo no Centro de Saúde local, o médico suspeitou que a radiação fosse a causa do agravamento da saúde dos moradores. Assim, ele contatou um conhecido, Walter Ferreira, também físico médico, que estava de visita à cidade.

Assim que Walter identificou o nível elevado de radiação na embalagem, ele liderou a iniciativa para iniciar a evacuação pública e levou a preocupação ao Secretário de Saúde do Estado de Goiás. Ele também se comunicou e colaborou com autoridades e especialistas da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) para elaborar o plano de resposta e operação de limpeza para o desastre.

Além disso, enquanto o processo de descontaminação prosseguia, o físico permaneceu na equipe de resposta. Portanto, a narrativa de Marcio permanece influenciada pela contribuição real de Walter. Mesmo assim, a série incorpora à caracterização e à narrativa de Marcio tramas e conexões que provavelmente são obras de ficção. Por exemplo, na série, Marcio é um físico nuclear, e não um físico médico. Da mesma forma, sua vida pessoal como marido e futuro pai também encontra pouca base em registros históricos disponíveis sobre a inspiração para o personagem fora das telas.

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