Em “Emergência Radioativa“, a história real do Acidente de Goiânia ganha destaque, explorando os eventos que levaram à tragédia e suas consequências. A trama se desenrola em 1987, na cidade de Goiânia, Goiás, quando a comunidade local é exposta, sem saber, à radiação nuclear. Dois moradores recolhem uma cápsula de uma clínica de radioterapia abandonada e a vendem em um ferro-velho. Como resultado, toda uma comunidade é contaminada, sem saber, com grandes quantidades de Césio-137, uma substância altamente perigosa para a saúde.
Somente dias depois, quando Márcio, um físico nuclear, está na cidade para o aniversário de seu pai, a verdadeira natureza da cápsula é identificada. Isso desencadeia em Goiânia uma intensa missão de descontaminação e restabelecimento do atendimento médico aos pacientes. Consequentemente, Beny Davi Orenstein, diretor da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), é chamado ao local para planejar a operação de resposta à tragédia iminente. Dada a natureza histórica da série, o personagem de Orenstein e suas possíveis raízes na realidade se tornam um ponto crucial de intriga.
A verdade por trás dos personagens de Emergência Radioativa
Um funcionário da CNEN da vida real inspirou o papel de Beny Davi Orenstein na limpeza da contaminação.
‘Emergência Radioativa’ é uma série dramática histórica de suspense que mantém certo distanciamento dos detalhes biográficos do acidente real de Goiânia. Isso se dá principalmente por meio de mudanças sutis em detalhes, como os nomes dos personagens. Mesmo assim, a série mantém uma conexão notável com a realidade, com uma narrativa que permanece historicamente precisa em sua maior parte.
Portanto, o personagem do Dr. Beny Davi Orenstein desempenha um papel semelhante na história. O diretor da CNEN na tela é uma versão ficcional de um funcionário da vida real que desempenhou um papel crucial na resposta da CNEN à descoberta do Césio-137 exposto em Goiânia, Goiás.

Em 13 de setembro de 1987, Roberto dos Santos Alves e Wagner Mota Pereira entraram nas instalações de uma clínica de radioterapia abandonada, o Instituto Goiano de Radioterapia. A área desprotegida abrigava um equipamento tecnológico usado para tratamento de câncer, abandonado pela clínica após sua evacuação e demolição.
A unidade médica, uma vez desmontada, revelou um depósito de Césio-137, uma substância em pó azul brilhante que o dono do ferro-velho, Devair Ferreira, acabou compartilhando com seus amigos e familiares. Como resultado, a contaminação radioativa da substância se espalhou pela cidade. Finalmente, depois que a esposa de Ferreira, Maria Gabriela, levou a cápsula ao Centro de Saúde, o material foi identificado como radioativo.
A identificação foi feita por um físico médico local que estava visitando a cidade. Após examinar a situação e avaliar o alto nível de ameaça, ele tentou iniciar a evacuação e ampliar a operação de resposta. Em 29 de setembro de 1987, 16 dias após a exposição inicial dos moradores ao Césio-137 e um dia após a descoberta, José de Júlio Rozental viajou do Rio de Janeiro para Goiânia. Ele era o diretor do CNEN e coordenador de suas operações, tendo trabalhado em contato direto com a população afetada durante o processo de descontaminação.
Ele se envolveu profundamente em restaurar a sensação de segurança da população e, segundo relatos, chegou a beber a água local para garantir que não estava contaminada. Esse episódio específico é recriado diretamente na narrativa de Orenstein.

Rozental trabalhou ao lado do físico médico e desempenhou um papel significativo na descontaminação e em outras respostas ao acidente. Segundo relatos, após avaliar a situação com maior rigor, ele contatou a sede da CNEN, constatando que a situação era crítica e exigiria recursos abundantes. O trabalho que ele realizou em Goiânia tornou-se um marco em questões nucleares e radiológicas.
Assim, é evidente que o personagem de Orenstein encontra notável inspiração no envolvimento histórico do diretor da CNEN com o Acidente de Goiânia. Mesmo assim, é importante lembrar que partes de sua caracterização inevitavelmente se tornam detalhes fictícios, criados para ajudar a narrativa a apresentar uma história bem construída. Não obstante, independentemente da ocasional liberdade criativa tomada na história de Orenstein, sua base em Rozental e em seu trabalho fornece uma base de autenticidade para o personagem.
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