Crianças carismáticas, montadas em suas bicicleta e lutando contra ameaças sobrenaturais nunca foram tão populares quanto hoje. Iluminado por esse espírito oitentista, Andy Muschietti trazia em 2017 uma nova adaptação da obra de Stephen King, a qual viria a ser sucesso de público e de crítica. Era o primeiro capítulo de uma história de vinte e sete anos.

Na década de 80, o palhaço Pennywise (Bill Skarsgård) aterrorizava a vida dos membros do Clube dos Perdedores na pacata cidade de Derry. Os anos se passaram (27 para eles, apenas dois, para nós) e, como juraram uns aos outros, os Otários estão de volta para derrotar o palhaço demoníaco de uma vez por todas e acabar com o seu reinado de terror – ou, pelo menos, tentar.

Agora adultos, a maior parte dos membros do grupo possui o seu próprio emprego, sua própria família, sua própria vida longe de Derry. Tudo vai bem, até  que o seu passado volta para assombrá-los. Afinal, a infância dos Perdedores não foi fácil. Pennywise foi uma pequena parte de uma série acontecimentos que os atormentariam para sempre. O roteiro se prende a essa ideia: adultos, porém, crianças. Desta forma, uma bela conexão é estabelecida entre o passado e o presente de cada um dos personagens. O elenco infantil retorna com força por meio de flashbacks que são fundamentais na construção da mensagem por trás do longa (a qual também é tema central na obra de King).

Além disso, as cenas do passado acabam sendo essenciais para que o espectador consiga visualizar as crianças do primeiro capítulo nos atores escalados para viver as suas “formas” adultas. O trabalho do novo elenco também deve ser enaltecido. James McCavoy, Jessica Chastain, Bill Hader e o restante do elenco conseguem manter a personalidade e a alma de cada um dos personagens. A dinâmica entre o grupo é fluída e a força do Clube dos Perdedores é mantida.

Do outro lado da balança, está Pennywise. Mais uma vez, Bill Skargård entrega uma performance extraordinária. Os trejeitos na fala e nos gestos do personagem fazem com que o vilão roube a cena em qualquer momento que apareça em sua forma mais popular. As três longas (e exageradas) horas de filme, assim como o CGI de qualidade questionável, são compensados por grandes momentos envolvendo o palhaço (com destaque para a cena da arquibancada, uma das melhores e mais bem filmadas da franquia).

Pennywise, o diretor, Andy Muschietti, e o elenco compartilham de uma mesma missão: convencer o espectador de que, de fato, o palhaço consegue aterrorizar os Perdedores tanto quanto o fez com as suas versões infantis. Uma tarefa difícil, a qual acaba sendo executada com alguns tropeços. Por mais que os atores entreguem o melhor de si, é muito mais fácil  para quem assiste comprar o medo de “palhaços” sentido por crianças do que por adultos. De qualquer maneira, a coragem do diretor deve ser ressaltada, uma vez que Muschietti não resolveu mudar o tom que foi apresentado no primeiro filme, mantendo toda a sua personalidade.

No fim, It: Capítulo Dois se vende como um terror e acaba entregando algo que, talvez, deva ser considerado uma aventura com traços sombrios. Assim como o primeiro, a segunda parte consegue se mostrar original dentro do gênero e, ao mesmo tempo, concluir de forma satisfatória a saga do Clube dos Perdedores contra o terrível palhaço Pennywise.

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