Ambientado todo dentro de um bar, o longa “INFERNINHO”, de Guto Parente e Pedro Diógenes, é uma tragicomédia inspirada nos melodramas das pessoas que não se enquadram nos padrões da sociedade. Na trama, Deusimar (Yuri Yamamoto) é a dona do bar Inferninho. Ela sonha em ir embora para um lugar distante, até conhecer Jarbas (Démick Lopes), um marinheiro que acaba de chegar e que quer fincar raízes. A história de amor dos dois muda completamente o cotidiano do bar e dos seus funcionários: Luizianne (Samya de Lavor), a cantora; Coelho (Rafael Martins), o garçom; e Caixa-Preta (Tatiana Amorim), a faxineira.

O filme teve estreia mundial no Festival de Rotterdam e já foi exibido em mais de dez países. Em Portugal, participou do Festival Queer Lisboa, onde levou o prêmio de Melhor Filme. No Brasil, foi o grande vencedor da XI edição do Janela Internacional de Cinema do Recife, com os prêmios de Melhor Filme e Melhor Imagem, do Júri Oficial, e de Melhor Filme, do Júri da Crítica. Também conquistou os prêmios Especial do Júri, da Première Brasil – Novos Rumos e o Prêmio Félix, ambos na última edição do Festival do Rio, e foi consagrado na Mostra Internacional de Cinema de São Luís como Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator.

INFERNINHO” nasceu do encontro de dois grupos artísticos de Fortaleza: Grupo Bagaceira de Teatro e Alumbramento Filmes. “Inquietações como essa uniram um grupo de teatro e um coletivo de cinema que, num processo de intensa troca e contaminação, construíram juntos o Inferninho para falar do amor e da fantasia, como possibilidades de resistência dentro de um contexto atual onde direitos básicos são negados, as minorias são rechaçadas e o moralismo se torna cada vez mais dominante”, revela Guto Parente.

O primeiro roteiro de “INFERNINHO”, que a principio era uma série de TV, começou a ser desenvolvido dentro do Laboratório de Audiovisual do Porto Iracema das Artes, com os dois coletivos trabalhando juntos. Os atores participaram criativamente do processo desde a elaboração do roteiro e foram fundamentais na construção das personagens, que são o foco do filme. É através das personagens, dos seus desejos e das suas angústias, que o filme busca uma relação sensível com o espectador, mas sem perder a possibilidade de uma reflexão maior sobre o que é visto.

O bar onde se passa o longa é quase um personagem. Pedro conta que “trabalhar esse espaço foi dos grandes desafios do processo, pois é um filme que se passa todo na mesma na locação. E esse cenário único tinha que transmitir o clima e a atmosfera que pretendíamos construir. O espaço sempre foi pensando como um lugar de refúgio e como um prolongamento dos seus personagens. O bar tem muito da personalidade da Deusimar, assim como o palco carrega um pouco da Luiziane”.

“INFERNINHO”, que estreia em 23 de maio com distribuição da Embauba Filmes, foi viabilizado com recursos provenientes do Edital de Cinema da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará, que contou com aporte da Ancine/FSA através dos arranjos regionais.

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