O astro Keanu Reeves anda se tornando uma versão desgastante de si mesmo nos últimos anos. Assim como Nicolas Cage, ambos não estão, de fato, sabendo escolher os projetos os quais se envolvem. Fora a franquia ‘John Wick’, Reeves só entra em uma empreitada pior que a outra, como é caso de ‘Cópias – De Volta à Vida’ (Replicas), uma ficção científica tão perdida dentro de seus conceitos surreais, que mais parece obra de alunos de faculdade, enquanto o roteiro realmente acredita que está apresentando algo novo e divertido ao gênero, sendo que replicar a mente humana está longe de ser um tema inovador e, mesmo que fosse, não é o caso aqui.

De início, a trama até consegue empolgar e manter o suspense ao apresentar o cientista Will Foster (Reeves) e seus planos para trazer de volta dos mortos soldados em corpos de robôs. Mesmo que nada revolucionário, pelo menos acreditamos que estamos vendo uma trama digna de um bom episódio de ‘Black Mirror’, no entanto, não demora muito para que tudo desande completamente rumo ao caos. Desde diálogos expositivos ao extremo, sem dar tempo para que o espectador possa pensar por si mesmo, até as decisões mais previsíveis possíveis dentro daquele contexto, tudo soa artificial demais e nossa tão importante suspensão da descrença se torna difícil de ser alcançada, ainda mais pelo fato de que todas as ações parecem ser possíveis, não há sensação de perigo eminente e os furos do roteiro brotam na superfície a todo o tempo, nos fazendo pensar mais sobre se aquilo realmente seria plausível do que nos envolvendo na história em si.

Mesmo com o ritmo da montagem até sendo bom, em determinado momento, a trama trava em torno de soluções estúpidas e personagens sem carisma nenhum, se tornando repetitiva e desmotivadora. Reeves liga seu piloto automático e só segue o roteiro, sem passar nenhum tipo de veracidade ou emoção, o mesmo se aplica para a atriz Alice Eve (Além da Escuridão – Star Trek), mais perdida ainda que o restante do elenco. Thomas Middleditch (Silicon Valley) é o alívio cômico sem graça e John Ortiz (Bumblebee) o vilão estereotipado, ambicioso e caricato, que serviria para estrelar qualquer filme sem sal da Disney. Ou seja, se o elenco não passa conforto, não torcemos por suas vitórias e não demora muito tempo para que passamos a nos importar cada vez menos com os personagens.

Se a trama é sem energia, a parte técnica parece seguir o mesmo padrão de amadorismo. Os efeitos especiais são tão grotescos, que parece inacreditável que o filme se leva a sério. Os robôs são mal feitos, seus movimentos são altamente artificiais e nada ajuda na tentativa de nos colocar de volta dentro da história uma vez que somos levados para fora por tamanha falta de coesão. A direção de Jeffrey Nachmanoff (roteirista de ‘O Dia Depois de Amanhã’) é padronizada, enjoativa e não tem força para segurar uma ficção científica, já que não sai de sua zona de conforto e corta de um plano para outro muito semelhante sem justificativa aparente, além do excesso de planos holandeses fora de contexto. De fato, com toda a bomba que tem em mãos, fica difícil fazer algo minimamente bom.

Ainda que tudo caminhe para um projeto esquecível, há sim uma interessante reflexão sobre o papel da ciência na natureza, escondida nas camadas mais inteligentes do roteiro, um debate que poderia render ótimos diálogos, mas que é deixado de lado para dar lugar a uma ação mal dirigida e uma perseguição de carros no clímax mais debilitado que o roteirista pôde pensar. A promessa de um desfecho interessante fica pelo caminho, enterrado junto com nossa vontade de ver algo bom sair do aglomerado de escolhas ruins feitas tanto pelos personagens quanto pela produção.

Dessa forma cansativa, ‘Cópias – De Volta à Vida’ é ambicioso demais e fracassa no que se propõe, nem mesmo o carisma de Keanu Reeves ajuda, aliás, sua atuação engessada é constrangedora. Um show de horror amadorista que só não é uma total perda de tempo por conta da reflexão à la ‘Eu, Robô’ que oferece. No demais, os efeitos especiais são toscos, a história não decola e temos aqui um fortíssimo candidato ao pior filme do ano.

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