É decepcionante afirmar que o tão promissor universo compartilhado de filmes de terror criado por James Wan, com ‘Invocação do Mal’ (2013), vai de mal a pior. Após o fraco A Freira, parece que a falta de criatividade e inspiração se estabeleceu dentro da franquia, que apenas replica fórmulas já batidas, sem inovação ou qualquer elemento significativo que seja para manter os filmes relevantes. Sendo assim, ‘A Maldição da Chorona’ (The Curse of La Llorona), nova obra que se passa dentro desse contexto de histórias de horror, vem para colocar o último prego no caixão. Ou pelo menos, para evidenciar que a qualidade não é mais um diferencial.

A estrutura da trama é facilmente reconhecida em qualquer outro filme do gênero e até mesmo dentro do universo compartilhado, já que mostra uma mãe solteira protegendo seus filhos das forças do mal, que nesse caso, é o fantasma de uma mulher que chora e se lamenta, enquanto busca crianças aleatórias para preencher o vazio após perder seus filhos séculos atrás. Apesar da produção jurar que a Chorona (Marisol Ramirez) é assustadora, a vilã mais parece uma versão live-action da Noiva Cadáver, ou seja, o medo da sua presença passa longe dessa história. Agora some essa falta de carisma ao fato de que praticamente todos os sustos são construídos à base de jump scares e pronto, temos aqui o modelo perfeito de terror genérico e estúpido, com personagens sem encanto e que cometem burradas a cada 5 minutos de filme para nossa irritação e suspensão da descrença.

Mesmo que a direção de Michael Chaves, que aliás vai comandar a 3ª parte de ‘Invocação do Mal’ no próximo ano (medo!), busque planos mais elaborados, como o plano sequência que abre o filme, toda a construção de suspense dos primeiros minutos acaba indo por água abaixo após as primeiras aparições da vilã, que deixa de lado as sutilezas e o trabalho com as sombras para mostrar sua cara branca e mal feita em cenas construídas apenas para tentar assustar o público, encaixadas dentro de uma história maior que não tem a menor noção para onde está indo. A protagonista, vivida pela atriz Linda Cardellini (Green Book: O Guia), não tem força para segurar o filme sozinha e as crianças, Roman Christou e Sierra Heuermann, entregam atuações engessadas e caricatas, que passa longe do fantástico elenco do primeiro ‘Invocação do Mal’. Já o curandeiro exorcista que parece ser especialista em maldições, vivido por Raymond Cruz (Breaking Bad), é tão sem energia e humor, que sua presença serve apenas para que a protagonista possa ter qualquer chance de sobreviver, já que não pensa por si só e não quer esperar para recorrer ao casal Ed e Lorraine Warren.

Além do roteiro anêmico, a produção ainda soa amadora para se encaixar em uma franquia tão endinheirada. A direção de fotografia é péssima. Cenas escuras e sem estilo algum, fora que praticamente toda a ação se passa em apenas uma noite, ou seja, é preciso se esforçar para compreender o que está acontecendo em algumas cenas mal dirigidas. E quando não tem ação, a preparação para o susto é longa demais, entediante e óbvia depois de alguns minutos, amargando as aparições da Chorona e desconectando nossa mente do medo, algo semelhante ao que acontece com ‘A Freira’. A vilã é tão exagerada e superestimada que se torna uma piada ruim de si mesma, salva apenas por dois ou três sustos realmente inteligentes, como os da cena da menina com o guarda-chuva, por exemplo, caso contrário, cai no total esquecimento.

Fora o crossover do padre Perez (Tony Amendola) de ‘Annabelle’ para cá, não há qualquer outra citação ao universo compartilhado para aquecer o coração e, claro, acrescentar algo de novo. Sendo assim, ‘A Maldição da Chorona’ é, sem dúvida, o filme mais fraco até agora, já que se isola dentro de uma trama sem graça e preguiçosa, que não faz sentido dentro do universo já estabelecido por outros bons filmes, exatamente por ser tão sem vida e desperdiçar qualquer chance de inovar o gênero. Nem para divertir serve. Mais um terror promissor que cai na maldição de ser genérico e esquecível. Melhor apagar e fazer de novo.

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