Aviso: Este artigo contém spoilers sobre o episódio de Grey’s Anatomy de quinta-feira, intitulado “Silent All These Years”. Leia por sua própria conta e risco!

No episódio desta semana de Grey’s Anatomy, um enredo independente sobre uma vítima de agressão sexual que está com medo de relatar o incidente culminou com uma extraordinária manifestação de amor e apoio das mulheres do Grey Sloan Memorial.

No episódio, uma paciente do hospital havia sido estuprada e não conseguia sair de seu quarto e dar de cara com um homem, porque cada rosto masculino lembrava de seu estuprador. As mulheres do hospital se reuniram no corredor para ela se sentir segura até o caminho da sala de cirurgia.

Confira a cena:

As três das produtoras da série – a showrunner Krista Vernoff, a diretora Debbie Allen, e a roteirista Elisabeth R. Finch – falaram a EW sobre a cena emocional e por que tantas mulheres estavam ansiosas para participar.

KRISTA VERNOFF (showrunner): Houve uma situação em nossa esfera política que foi incrivelmente dolorosa e prejudicial. Foi o testemunho de Christine Blasey Ford e como isso não significou nada. Isso machucou nossas almas. Fui aos escritores e disse: “A mensagem que acaba de ser enviada a todas as jovens é que o consentimento não importa. Nós temos aqui uma oportunidade de ensinar homens e mulheres sobre o consentimento e falar sobre como o estupro pode ter um efeito duradouro e impactante por gerações.” É a primeira vez que eu falo com a equipe com um problema real ao invés de dizer: “Ei ! Eu tenho uma ideia para um personagem.”

ELISABETH R. FINCH (Roteirista do episódio): Há três anos, o Writers Guild of America enviou um e-mail sobre uma oportunidade para um pequeno grupo de pessoas visitarem o Centro Médico da UCLA, o Centro de Tratamento de Estupro Santa Monica. É uma organização internacionalmente conhecida que todo centro de tratamento deve ter por causa da maneira como projetou seu espaço. Uma das coisas mais fascinantes sobre esse lugar é como toda vez que entramos em uma sala, haveria uma série de comunicados de rádio de uma pessoa que verifica se os corredores estão limpos. Eles querem ter certeza de que nenhum estranho, nem ninguém, esteja andando pelo corredor enquanto um sobrevivente estiver passando. Eu achei incrível que um lugar projetasse um programa inteiro em torno de um sobrevivente. Um ano depois, assisti a um vídeo no YouTube de alguém que doou órgãos. Parte do protocolo do hospital é que sempre que um doador de órgãos é conduzido por um corredor, todos os médicos daquele hospital enchem os corredores para homenageá-lo. Algo clicou na minha cabeça sobre casar essas duas coisas.

VERNOFF: Ela armou essa cena para mim como o “incrível exército”, que estava alinhado nos corredores com mulheres que apenas ficavam lá e testemunhavam a jornada dessa sobrevivente para protegê-la. É tão raro conseguir esse tipo de representação na TV que analisa as conseqüências da violência e se concentra em maneiras pelas quais podemos nos apoiar e nos curar uns aos outros, em vez de causar mais danos uns aos outros. Como um showrunner, quando você ouve uma cena como essa, você diz: “Sim, por favor, e faça o episódio inteiro”.

DEBBIE ALLEN (diretora): Honestamente, eu estava quase paralisada com uma mistura de emoções [na leitura do roteiro]. Esta história tem tantas camadas. Foi uma leitura muito emocional e pessoal para mim.

VERNOFF: A partir do momento em que o roteiro foi publicado, houve uma grande reação a ele na Shondaland. Todo mundo ficou impressionado. Começamos a ter pessoas perguntando se poderiam estar nessa cena. As mulheres nesse corredor são quase todas as mulheres da equipe de roteiristas. Muitas das mulheres estão na equipe, ou são assistentes na Shondaland, ou são mulheres que trabalham na ABC. Eu acho que havia mais de 100 mulheres.

ALLEN : Nós tivemos que começar a dançar no meio da gravação porque era muito pesado. Nós não tivemos o dia todo. Nós tínhamos mulheres que estavam deixando seus empregos para virem ao local. Eu tive uma boa hora para filmar. Então acendemos e acertamos.

VERNOFF: Houve reverência naquele corredor. A sensação de que toda mulher naquela sala tinha algum tipo de relação com essa história era simultaneamente devastadora e poderosamente curadora. Neste momento nós tivemos que dizer, há melhores maneiras que todos podemos nos unir. Nós podemos testemunhar um ao outro. Nós podemos mudar .

ALLEN: Grey’s Anatomy é sobre muitas coisas. Abordamos os assuntos mais controversos e relevantes, bem como relacionamentos maravilhosos e pessoas tentando encontrar o caminho. E nós vamos continuar. É parte da razão pela qual somos como um novo show, pois entramos na 16ª temporada. Nós vamos para o mesmo rio, mas sempre entramos em novas águas.

Grey’s Anatomy é exibida no canal Sony no Brasil.

Fonte: EW

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