O Brasil é um país grande, não há dúvida. Com uma população de mais de 200 milhões de pessoas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, o país conta com mais de 30 milhões de pontos de banda larga fixa instalados, segundo dados da Anatel – Agência Nacional de Telecomunicações.

A banda larga fixa é uma tendência global; países desenvolvidos oferecem serviços com ultravelocidade, facilitando e criando a possibilidade de vender produtos de alta complexidade via internet, como revistas, livros, conteúdo e filmes em alta resolução.

Por estes lados, a estrutura está sendo instalada aos poucos e ainda há falta de um serviço de alta tecnologia e velocidade. Segundo a Anatel, quase todos os municípios do país oferecem internet por fibra ótica, mas a realidade é que mesmo em Curitiba, por exemplo, uma das primeiras cidades onde foi testada a fibra, ainda existem bairros que não são atendidos por essa tecnologia. A situação é semelhante, se considerarmos as regiões metropolitanas e municípios pequenos no interior dos Estados.

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Qualidade questionável, velocidades baixas e preços altos impedem que o brasileiro possa desfrutar de aplicativos como Netflix, YouTube 4k, Amazon Video, entre outros serviços de conteúdo. Mesmo jogos online, sendo outra tendência mundial, com torneios que reúnem competidores do mundo todo, também são afetados no país.

Apesar de todas as dificuldades com a difusão dos serviços de internet banda larga, houve um crescimento enorme dos portais de conteúdo e dos serviços de streaming. Segundo dados do Empresômetro, em cinco anos, o setor cresceu mais de 32% e hoje são mais de 17.736 empresas formalizadas.

“Não estamos falando de todos os portais que iniciaram suas atividades, somente daquelas empresas formalizadas e que possuem um cadastro de pessoa jurídica”, esclarece o empresário e diretor do Empresômetro, Otávio Amaral.

A realidade é virtual

É um fenômeno vivido com mais intensidade em outros países, mas a migração de tradicionais jornais e revistas para o meio digital, deixando de lado a impressão para manter conteúdos exclusivos em seus portais na internet, fechamento de grandes redes de videolocadoras e redução de faturamento de importantes livrarias, demonstra a apropriação da tecnologia da banda larga pela população brasileira.

A virtualização do mundo é uma realidade, mas não a de nosso país, pois algumas regiões são o extremo oposto do que é visto nas capitais, já que em muitos lugares não há qualquer acesso à rede.

Um país que gosta de ler

São inúmeras as pesquisas e notícias que tratam do fechamento das livrarias no país. A chegada do comércio eletrônico, a pirataria eletrônica e outros pontos são apontados como os principais protagonistas da queda nas vendas de livros e fechamentos de negócios físicos.

Segundo dados do Empresômetro, são mais de 27,7 mil empreendimentos ativos do tipo no país, sendo que a abertura de novos negócios vem sendo constante: em média 1.363 por ano nos últimos cinco anos.

Grandes redes reduzem os números, enquanto os negócios mais especializados crescem e pequenas livrarias de rua voltam a aparecer.

O brasileiro gosta de ler, vide o faturamento anual do segmento acima de 1 bilhão de reais, somente com a venda de livros, em 2018.

A possibilidade de ser ter um livro em qualquer lugar, em qualquer hora, sem uma tela cansando os olhos, longe de uma internet rápida para tirar o foco, é um hábito que, mesmo com todo o avanço tecnológico, o brasileiro não deixa de lado.

Aquele filme no final de semana…

Recentemente, foi alardeado o fechamento de algumas tradicionais videolocadoras pelo país, atribuído à internet e ao acesso a TV a cabo, o serviço de aluguel de filmes vem aos poucos sendo reduzido.

O país conta, segundo dados do Empresômetro, com mais de 10 mil videolocadoras ativas, isto é, negócios formalizados que recolhem impostos e têm movimentação de recursos, com média anual de abertura de 174 novos negócios.

“O número pode ser muito maior, visto que a informalidade é grande no país, principalmente nas periferias e pequenos municípios”, diz Amaral.

Mesmo com o crescimento do serviço de internet banda larga no país, a ferramenta não tem a velocidade necessária, nem a qualidade para que filmes sejam apreciados em toda a sua plenitude. Além disso, milhares de municípios não contam com o serviço, em especial no interior dos Estados, longe de grandes centros.

Tudo isso faz com que o negócio de locação de filmes ainda persista em muitos lugares, sendo uma alternativa barata para quem quer apreciar filmes no final de semana. A qualidade de imagem é incomparável.

A grandiosidade do país fica clara quando vemos números como esses, que demonstram a capacidade do brasileiro em empreender, buscando mesmo em setores com aparente decadência, o sucesso nos negócios.

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