Não há  sensação melhor para um amante de cinema do que ser surpreendido por um filme completamente inovador e revolucionário. Afinal, é este o princípio básico da cinefilia.  Entretanto, isso não extingue, ou até mesmo proíbe, que as pessoas sintam vontade de ir até o cinema e assistir algo leve e agradável, por mais que não seja nem um pouco ousado (o que não qualifica o produto como sendo ruim). Em uma situação como esta, Um Banho de Vida, de Gilles Lellouche, pode ser uma boa pedida.

O longa francês tem como personagem central o depressivo Bertrand (Mathieu Amalric), que entra em um grupo de nado sincronizado masculino, formado por outros fracassados como ele, com intenção de distrair-se dos problemas da vida. Certo dia, ignorando o fato de que são péssimos e fortalecidos pelas suas próprias perturbações, a equipe decide representar a França no Campeonato Mundial.

Ao decorrer do filme, o protagonismo de Bertrand se funde com as histórias das demais personagens. No fim, a “Equipe da França” passa a ser o centro da narrativa. A química entre os membros da equipe se torna o fio condutor da trama, sendo essa sustentada pelo elenco acertadamente escalado. Os atores, de maneira geral, desempenham um ótimo trabalho e conseguem traduzir muito bem as cenas de Lellouche, tanto as dramáticas quanto as cômicas.

Entretanto, deve-se dizer que Um Banho de Vida é um filme extremamente clichê. Sem ousadias, Lellouche nos apresenta a uma visão extremamente otimista sobre a vida. Por mais que o longa exponha um certo teor dramático, o enredo acaba sendo conduzido para um desfecho de tom ameno e positivo. A questão é que o diretor consegue fazer com que isso funcione, criando uma bela e divertida história de superação.

Com uma linda mensagem, Um Banho de Vida consegue animar o dia de qualquer um. Você chora, você ri, você sai do cinema contente e com uma ótima sensação de conforto. Por mais que não sejam considerados obras de arte, sempre precisaremos de filmes como este. Uma comédia dramática descompromissada e carregada de positividade na qual o espectador consegue “mergulhar” e esquecer por algumas horas as perturbações causadas pela vida.

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