A última década do século passado é o ponto de partida de Capitã Marvel, que mostra como chegamos aos acontecimentos que resultaram nos filmes mais recentes dos Vingadores: Guerra Infinita e Ultimato. Apesar de ter acontecido há tão pouco tempo, os anos 1990 parecem ter se passado há eras atrás, devido às enormes mudanças que aconteceram com a tecnologia. (Leia a nossa crítica de Capitã Marvel)

Cinema

O cinema comercial começa esta década trazendo o cinema de arte para o grande público, quando nomes como Woody Allen, Martin Scorsese e Pedro Almodóvar começam a fazer sucesso em grande escala, abrindo espaço para novatos como Quentin Tarantino, Robert Rodriguez e os irmãos Coen. Os super-heróis da Marvel começam a ganhar espaço na telona, com personagens como Blade, Demolidor e Elektra. O então pequeno estúdio de animação Pixar começa a fazer longas em computação gráfica, revolucionando os desenhos animados – com uma pequena ajuda de Steve Jobs, que havia sido demitido da Apple e começou a ajudar a nova iniciativa. A década termina com George Lucas anunciando algo que os fãs de Star Wars sempre sonharam: uma nova trilogia do universo Jedi. O grande sucesso do fim da década é a adaptação que o diretor dos filmes Exterminador do Futuro – James Cameron -, faz para o naufrágio do navio Titanic. No Brasil, o cinema nacional começa a se reerguer, principalmente a partir de Carlota Joaquina, dirigido por Carla Camurati. A década termina com um filme brasileiro, Central do Brasil, de Walter Salles, disputando o Oscar de melhor filme estrangeiro – e fazendo a eterna Fernanda Montenegro concorrer ao prêmio de melhor atriz.

Música

A década começa com o Nirvana destronando artistas estabelecidos como Guns N’ Roses, Michael Jackson e Madonna, mudando as regras do jogo com um som sujo, pesado e barulhento (ainda que melódico e de fácil assimilação) e trazendo a atitude anticomercial do punk para os holofotes do mainstream – criando assim um subgênero do rock chamado a princípio de rock alternativo. A música eletrônica de grupos como Massive Attack, Portishead, Prodigy e Chemical Brothers começa a ganhar o mundo, fazendo guitarras e violões ficarem em segundo plano. O rap também cresce como força comercial, principalmente a partir do gangsta rap, que cria um cenário em que as costas leste e oeste dos EUA começam a atritar entre si. No Brasil, as rádios são dominadas pelo trio axé music, sertanejo e pagode, que ajudam a alavancar as vendas de um novo jeito de se ouvir música – o compact disc. Embora o CD tenha sido lançado na década de 80, foi a partir dos anos 90 que ele encontrou o grande público e se tornou a principal mídia sonora do mercado, o que fez o Brasil, diferentemente de outros países, encerrar a fabricação de discos de vinil. A descentralização da produção musical também foi outra característica da década por aqui, quando grupos do Recife (Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A), Belo Horizonte (Pato Fu e Skank), Brasília (Raimundos, Little Quail e Maskavo Roots) e Porto Alegre (Graforreia Xilarmônica e Wander Wildner) começaram a ganhar um espaço que antes pertencia apenas a bandas do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Televisão

A principal mudança que aconteceu na televisão durante esta década foi a revitalização dos seriados. Até os anos 80, os seriados eram redundantes e não contavam uma história contínua, apenas circulavam ao redor de um roteiro básico repetido de diversas formas com os mesmos personagens de sempre. A partir da ida do cineasta David Lynch para a televisão isso começou a mudar. Lynch começou a década com o sucesso Twin Peaks, que durou apenas duas temporadas, mas mudou completamente a forma de se fazer TV. A partir de Twin Peaks, seriados como Arquivo X e Buffy – A Caça-Vampiros foram ainda mais além e transformaram a estrutura da TV usando um novo parâmetro que seria abraçado pela emissora HBO a partir da década seguinte, com seriados como Sopranos e The Wire. Estes, por sua vez, instigaram a criação de clássicos modernos como Lost, Breaking Bad e Mad Men – todos de uma certa forma herdeiros das transgressões de Twin Peaks no início da década anterior.

Tecnologia e internet

A internet foi inventada nos anos 60, mas só nos anos 90 deixou de ser exclusiva para um pequeno grupo de nerds e viciados em tecnologia. Foi com a criação primeiro da linguagem world wide web e depois com a popularização dos programas de navegação que as pessoas começaram a visitar a rede, num tempo em que não havia YouTube, Google nem Facebook e o mais próximo que se tinha de uma rede social era o email. Fora da web havia poucas formas de comunicação populares, como o mensageiro instantâneo ICQ e chats de portais de notícia. Celulares e câmeras digitais eram enormes e caros, só quem era muito rico tinha acesso – principalmente no Brasil. O computador pessoal, que já era uma realidade para norte-americanos e europeus, começa a se popularizar na Ásia e na América Latina – e o Brasil veio nesta corrente. Foi nesta década em que o MP3 foi lançado, quase que simultaneamente com o player de música digital mais popular naquele período, o WinAmp. A década terminou com a popularização de um programa de troca de arquivos online chamado Napster, que começaria uma nova era da música gravada ao permitir que qualquer pessoa visitasse – e baixasse – a discoteca de qualquer outra pessoa.

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