O cinema, assim como as demais artes, busca também desvendar os mistérios da mente humana e a compreensão de nossa existência. Se apegando à personagens profundos, repletos de camadas a serem exploradas, bons filmes servem como um interessante estudo sobre comportamento, depressão, autismo, transtornos mentais e etc. Cada obra bem realizada é como uma aula assistida, que pode e deve nos ajudar, tanto a se entender como pessoa, quanto a compreender o próximo e praticar empatia. Pensando nisso, elaboramos uma lista, ao lado da psicóloga Natielle Dassi, com 8 importantes filmes de diferentes gêneros e anos, para quem ama psicologia e também para aqueles que desejam conhecer um pouco mais da profissão e suas ações e reações.

Aviso: Alguns filmes, mesmo tratando e exemplificando certos temas na busca por mostrar seus efeitos, podem servir de gatilho, ou seja, apenas procure assistir quando estiver em harmonia com si mesmo e saiba que tudo não passa de obras de ficcionais. 

1 – Mary & Max (2009) – Uma doce e delicada animação sobre solidão

O primeiro selecionado dessa lista é a animação em stop-motion ‘Mary & Max – Uma Amizade Diferente’ que, apesar de ser animado, não é um filme para o público infantil, muito pelo contrário, essa poderosa história de amizade entre um solitário senhor nova-iorquino com autismo e uma jovem menina australiana que sofre bullying na escola, vai muito além do modelo convencional, ao aprofundar temas como depressão, autismo, distúrbios alimentares e uma deliciosa viagem em busca de compreender como é ter Síndrome de Asperger. Narrado de maneira singular, é quase impossível não nos apegarmos aos protagonistas carismáticos e cheios de personalidade. Definitivamente um filme doce, cru e dolorosamente realista, que fica no coração e na mente para sempre.

2 – Cisne Negro (2010) – Se entregue ao mundo peculiar da mente humana

Dirigido pelo conceituado Darren Aronofsky e estrelado por Natalie Portman, que inclusive ganhou o Oscar de Melhor Atriz pelo filme, ‘Cisne Negro’ trata-se de um thriller psicológico sendo, na verdade, um retrato perturbador do universo de Nina, uma bailarina cuja obsessão pela dança supera tudo a sua volta. A trama serve como um bom exemplo de como os excessos podem levar a mente humana a enlouquecer, seja pelo trabalho sem pausa ou o estresse da profissão. A protagonista se vê em meio de alucinações assustadoras sem saber separar seu trabalho de sua vida pessoal, o que a faz entrar em um turbilhão de sentimentos e angustias. Este filme está na lista por se tratar de uma fantástica análise sobre a mente e seus mistérios.

3 – Adam (2009) – Convivendo com o autismo

O engenheiro Adam convive diariamente com seu autismo e, após perder o pai recentemente e se ver sozinho, ele começa a desenvolver um bonito relacionamento com sua vizinha Beth, que se torna a única a enxerga-lo por dentro, entendendo sua visão peculiar do mundo e seus sentimentos reclusos. Dessa união nasce um cativante amor, que supera as dificuldades ao mesmo tempo que nos ensina a lidar com a doença e a ter empatia pelas diferenças. É difícil terminar o filme sem derramar aquela lágrima de alegria, e ainda mais difícil sair sem absorver a importante mensagem que o longa se propõe a passar. Um romance diferente do convencional, sobre dois estranhos que encontram conforto e carinho em suas diferenças.

4 – O Lado Bom da Vida (2012) – Bipolaridade na premiada comédia romântica

Baseado em um aclamado livro e estrelado por Jennifer Lawrence e Bradley Cooper, o romance, com toques de comédia, ‘O Lado Bom da Vida’ mostra o dia-a-dia de um ex-professor que acaba de voltar para casa depois de sair de uma instituição psiquiátrica. Ainda apaixonado por sua ex-mulher, ele busca reconstruir seu casamento, que foi destruído após seu surto psicótico, porém, na jornada para voltar a si mesmo ele se apaixona por uma amiga, que também possui histórico de bipolaridade. Juntos, encontram apoio um no outro na tentativa de ter uma vida normal. A trama é divertida, apesar do tema, mas lida de forma pontual com assuntos importantes, visando passar uma mensagem positiva sobre a vida e suas dificuldades. Uma obra otimista, sobre recomeçar sem medo de errar e se redimir consigo mesmo, que trata de forma didática como é conviver com transtornos bipolares.

5 – O Mínimo Para Viver (2017) – Anorexia e seus pesadelos

A jovem Ellen, vivida pela atriz Lily Collins, vive um problema muito comum: a anorexia. Com a doença se agravando, Ellen passa por momentos complicados. Seus amigos não compreendem sua condição e seus dias estão cada vez mais sem esperança, porém, quando encontra um médico não convencional que a desafia a enfrentar suas dificuldades e abraçar a vida, tudo começa a mudar. O drama, original da Netflix, é um retrato doloroso do impacto que os transtornos alimentares causam na vida de milhares em todo o mundo, em especial em mulheres, cuja sociedade força padrões de beleza pré-estabelecidos com ainda mais pressão. Apesar de algumas cenas pesadas e bem explícitas, a intenção do longa é mostrar o desespero que é lutar para se curar de uma doença poderosa, que leva à ruína rapidamente e precisa ser compreendida, estudada e tratada sem julgamentos. É triste, mas essencial.

6 – Um Método Perigoso (2011) – A origem da psicanálise

Com elenco estelar, composto por Keira Knightley, Michael Fassbender e Viggo Mortensen, o drama explora a relação entre Carl Jung e Sigmund Freud, que fez nascer a tão comentada psicanálise. A trama mostra o envolvimento de Jung com Sabina, uma jovem que sofre de histeria e é submetida a novos e ousados tratamentos, orientados por Freud. De todos da lista, este é o que melhor se aprofunda nas origens da psicologia e faz uma análise dos métodos aplicados no começo do século passado, fora a interessante relação entre Jung e Freud. Mesmo com uma linguagem mais elaborada e confusa em certos momentos, é um filme imperdível para quem ama e deseja estudar psicologia.

7 – Geração Prozac (2001) – O uso descontrolado de antidepressivos

Elizabeth, vivida pela atriz Christina Ricci, é uma jovem estudante de jornalismo que sonha em construir carreira. É aceita em Harvard enquanto lida com depressão clínica, agravada por problemas familiares. Com dificuldade de aceitar a doença e entender suas causas, ela busca ajuda médica e recebe uma prescrição do remédio Prozac, e aí que mergulha no uso descontrolado da droga na tentativa de resgatar sua vontade de viver. É essencial nesta lista pois questiona o uso de antidepressivos, fora que faz um profundo retrato sobre a depressão e seu poder avassalador e incapacitante, que atinge centenas de milhares de pessoas em todo o mundo. Mesmo já tendo sido lançado há 19 anos atrás, o longa ainda se mantém atual e seu debate fundamental, ainda mais quando a doença atinge jovens que ainda não sabem lidar com os possíveis tratamentos.

8 – Boy Erased: Uma Verdade Anulada (2019) – Psicologia como aliada aos LGBTQ+

Nessa delicada história sobre aceitação, o jovem Jared, de apenas 19 anos, mora em uma pequena cidade conservadora dos EUA. Ele é gay e filho de um pastor da Igreja Batista. Em um certo momento de sua vida, Jared é confrontado pela família e precisa escolher entre arriscar perdê-la ou entrar em um programa de terapia que busca tentar “curar” sua homossexualidade. O drama aborda temas de extrema necessidade e, apesar de servir como uma crítica construtiva à influência da religião na comunidade LGBTQ+, há um momento em que o jovem busca ajuda psicológica, quando descobre que não há nada de errado consigo, promovendo assim o debate sobre o assunto entre o meio da psicologia, que vem se tornando uma alternativa de muitos jovens em todo o mundo quando buscam compreender sua orientação sexual. O profissional carrega consigo o peso de guiar esses jovens e explicar que homossexualidade não é doença. Infelizmente, o longa teve sua estreia cancelada nos cinemas brasileiros, mas deve chegar por aqui por volta de abril, diretor em DVD.

 

Consultoria: Psicóloga Natielle Dassi

Contato: www.psicoviva.com.br

dassi.work@gmail.com

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