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Crítica | O Manicômio

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O avanço do YouTube e as demais plataformas de vídeo no nosso dia a dia parece ser uma ideia inteligente e justificável para se desenvolver um bom filme de terror no estilo found footage, afinal, vivemos com câmeras e celulares na mão a maior parte do tempo. Se lá em 1999 ‘A Bruxa de Blair’ foi um sucesso inovador, imagina fazer um filme no mesmo estilo nos dias de hoje, tem tudo para dar certo, não é? Bom, talvez até tenha, mas não é o caso de ‘O Manicômio’ (Heilstätten), terror alemão que tenta explorar as novas tecnologias dentro do gênero, mas que mergulha de cabeça no piegas acreditando que está sendo revolucionário.

Na trama, que tinha tudo para ser original, um grupo de Youtubers famosos fazem uma collab em que terão que passar uma noite inteira dentro de um antigo manicômio abandonado em Berlim, se submetendo ao macabro lugar enquanto gravam vídeos para seus respectivos canais, acreditando que, assim, irão atrair muitos seguidores curiosos, porém, tudo começa a dar errado e o pânico se estabelece no local. Dai por diante a jornada é dolorosa e só desce ladeira abaixo no quesito criatividade.

Para começo de conversa, nada funciona dentro do que o longa se propõe e é hilário ver os esforços para tentar fazer aquela trama ridícula parecer séria. Os diálogos são expositivos ao extremo, o elenco parece perdido sem saber o que fazer, a direção de Michael David Pate é exagerada e exaustiva, os sustos são mais fracos do que as pegadinhas do Silvio Santos e a atmosfera de medo se perde totalmente com a quantidade de furos que há no roteiro. Fora o uso das artimanhas de câmera na mão, que alternam para cenas em que não há câmera em lugar nenhum, mas os diálogos estão sendo filmados mesmo assim, uma mistura sem nexo nenhum de elementos diegeticos e não-diegeticos.

De fato, o ambiente é medonho e escuro, propício a sustos elaborados, no entanto, o diretor opta mesmo pelos bons e velhos jump scares excessivos, cuja trilha de áudio sobe ao extremo para fazer alguém pular da cadeira, ou mesmo acordar (se você já estiver dormindo!), algo que pode até ser bem sucedido, mas que não passa de um artifício barato para encobrir a ausência de uma interessante construção de medo. Mesmo assim, após 30 minutos de filme, nada mais nos assusta e nem os personagens são carismáticos o suficiente para desejarmos que sobrevivam no final. O roteiro até se esforça para disfarçar os clichês, fazendo piadas sobre filmes de terror, mas a verdade é que o texto é tão preguiçoso, que parece que nem mesmo o roteirista estava acreditando que o projeto seria bem-sucedido.

Além disso, a trama ainda encontra espaço para tentar ser maior do que realmente é e fazer reflexões sobre o que consumimos na internet, fora a crítica descarada aos criadores de conteúdos que só visam o “like” dos fãs, com frases como “…pessoas como você tornam os jovens idiotas”. Uma ideia boa, mas tratada com tanta superficialidade e humor, que acaba se perdendo dentro do contexto, principalmente após a tentativa de plot twist, que já estava sendo prevista com 10 minutos de filme, tornando a conclusão tão sem graça quanto todo o restante da trama. Como se não bastasse, se torna ainda pior nos últimos 10 segundos, onde toda a tentativa de originalidade do roteiro é desvalorizada, visando deixar um gancho para uma possível e desnecessária sequência.

Com tanta falta de carisma e imaginação, ‘O Manicômio’ erra ao tentar ser maior do que o roteiro permite e fracassa ao ser reflexivo sobre uso inapropriado da internet. O terror se torna cômico e o medo tedioso. Nasce aqui um forte candidato ao temido posto dos piores filmes de 2019 (e o ano ainda nem começou!), já que o único terror mesmo é assisti-lo até o final.

Aviso: O filme só terá cópias dubladas em português no Brasil, ou seja, a experiência é ainda pior.

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