Crítica | Millennium: A Garota na Teia de Aranha

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O capítulo mais sombrio da vida da hacker Lisbeth Salander chega aos cinemas oito anos após o último filme da saga Millenium. Uma franquia que, apesar de sempre apresentar certa qualidade técnica, passou por diversos problemas e mudou sua protagonista três vezes desde o primeiro filme, de 2009, antes de ganhar sua versão produzida por um estúdio americano e dirigida por David Fincher. E é dessa versão que surge ‘Millennium: A Garota na Teia de Aranha’ (The Girl in the Spider’s Web), adaptação do primeiro livro não escrito pelo autor da trilogia original, mas que continua os eventos da trama principal, um misto de sequência de ‘Os Homens que Não Amavam as Mulheres’, porém com um elenco completamente novo.

Dessa vez, a justiceira é interpretada pela talentosa Claire Foy (O Primeiro Homem), assumindo o manto da Lisbeth após Noomi Rapace e Rooney Mara, e a escolha não poderia ter sido mais gloriosa. Foy esbanja emoção e veracidade na pele da jovem que busca justiça para mulheres atormentadas por maridos, pais e outros homens violentos, no entanto, a nova trama aprofunda no seu passado e mostra uma heroína mais frágil e emotiva, que precisa se curar das feridas internas causadas pelo relacionamento abusivo de seu pai, se envolvendo em uma teia de corrupção, espionagem e intriga internacional.

Seguindo os caminhos do filme de Fincher, o ritmo dessa nova desventura continua sendo bom, ainda mais dinâmico e enxuto que o anterior, indo direto ao ponto e não deixando muitas brechas para enrolação e tramas paralelas à jornada de Lisbeth, até mesmo o jornalista Mikael Blomkvist (Sverrir Gudnason) possui um papel menor desta vez, já que antes Daniel Craig era o protagonista da trama, deixando Lisbeth com um papel importante porém secundário. Agora, ela e todo o seu espírito de vingança é a dona do enredo, focado muito mais nas mulheres e em temas feministas.

Além do acerto do ritmo, a entrada do diretor uruguaio Fede Alvarez (O Homem nas Trevas) também fez grande diferença. Seu trabalho de direção é impecável, escolhendo entre cortes lentos (como na cena inicial da cozinha, que vai aos poucos revelando os fatos), até planos mais ousados e ótimas tomadas gerais. Fora que Alvarez tem raízes no suspense e terror, algo que agregou e muito para manter a tensão elevada e o tom mais obscuro e misterioso desse capítulo. Sem dúvida um dos melhores trabalhos de sua filmografia. Aliás, a direção de fotografia constrói perfeitamente o tom gélido da trama, optando por cores frias e muito cinza, um deslumbre visual em contraste com as poucas e selecionadas cores quentes no meio do cenário, como um vestido vermelho, sangue e fogo.

Acertos à parte, o maior erro do longa, parte do roteiro que, apesar de ser enxuto e mover a trama para frente, se rende a convenções típicas do gênero de espionagem, como soluções fáceis, personagens que são valiosos por saberem as respostas dos puzzles da trama e revelações previsíveis demais. Principalmente no terceiro ato. Quando a trama corre contra o tempo para finalizar todas as pontas soltas, perde a qualidade e o roteiro adere ao “quanto mais fácil melhor”, apresentando um clímax fraco para algo que foi tão bem construído no começo. Perdendo então a chance de inovar, ou mesmo tentar ser menos óbvio que o habitual. Até os antagonistas são genéricos e estereotipados.

No entanto, com um diretor que entende sobre manter o nervosismo nas alturas e uma atriz emotiva e que vive uma protagonista menos robotizada, ‘Millennium: A Garota na Teia de Aranha’ acerta na ação e apresenta uma adaptação frenética, violenta e que prende nossa atenção até o fim, mesmo que já saibamos como tudo vai terminar, a jornada importa e, no final ,somos nós que estamos fisgados na teia dessa cativante personagem que se chama Lisbeth Salander.

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