Crítica | Infiltrado na Klan

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Infiltrado na Klan (BlacKkKlansman), o novo filme de Spike Lee, é digno de um alquimista, misturando biografia, comédia, drama e o gênero policial ao já conhecido estilo do diretor. O resultado é uma produção que evoca todas nossas emoções, indo do riso a uma reflexão necessária.

A história, baseada em fatos reais, apresenta Ron Stallworth (John David Washington), um policial afro-americano de Colorado que faz o impossível: consegue se infiltrar na Ku Klux Klan via telefone. Claro, para a infiltração acontecer para valer, ele precisa de outro policial. E aí entra Adam Driver (Flip Zimmerman), que faz a parte presencial da investigação. Detalhe: ele é um judeu.

E é a partir dessa sinopse, que realmente parece ser mais uma comédia do que outra coisa, que começa um filme que não é simplesmente sobre preconceito. Lee acerta ao mostrar as diversas facetas da situação: o branco racista que se acha coberto de razão e leva uma vida normal, fora esse “pequeno” desvio de caráter.

Negros que lutam por seus direitos de diversas formas: seja o protagonista tentando mudar o sistema por dentro, seja outros dispostos a ações bem mais radicais, o que gera uma discussão sobre como a violência pode prejudicar mesmo quando usada para combater algo que realmente precisa ser combatido.

Aos 91 anos, o cantor Harry Belafonte, que sempre lutou por direitos civis, faz uma participação pequena, mas de impacto, numa das cenas mais tristes do longa, que ganha mais força com sua presença.

Mesmo que tenha ótimos momentos cheios de cinismo e ironia, não é na comédia que Infiltrado na Klan apresenta o seu melhor. É ao nos confrontar com a absurda realidade, seja na década de 1970 (onda a história se passa) ou no presente, na qual autoridades passam o pano para o preconceito, da ofensa ao assassinato, direta ou indiretamente o apoiando, e onde pessoas fingem que tudo está normal, ou pior, realmente acreditam que está dentro de seus direitos destruir outras pessoas simplesmente por serem diferentes.

No momento que não só os Estados Unidos, como o Brasil também vivem, forçar as pessoas a pensarem num assunto tão importante é, no mínimo, essencial. Assistir a Infiltrado na Klan no dia seguinte do primeiro turno das eleições brasileiras amplificou ainda mais o significado, tanto da própria eleição, quanto da reflexão que, pelo visto nos últimos dias, pode ser ignorada por uma camada cega (por pura ignorância ou por escolha consciente) da sociedade.

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