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Crítica | Marvin

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Alguns temas são universais, colocados em qualquer contexto eles permanecem o mesmo. Muitas vezes estamos falando de confrontar demônios internos, sobre a incerteza da existência e o medo de encarar mudanças. No caso de Marvin, que estreia nos cinemas nesta quinta-feira, um assunto que infelizmente ainda parece ser universal, é a dificuldade de ser um homossexual em meio a uma sociedade preconceituosa.

O filme alterna em diferentes linhas do tempo, começamos vendo um Marvin Bijou adulto, se preparando para produzir uma peça sobre sua vida. Intercalado com isso, vemos sua infância no interior francês. Em uma casa simples e com muitos irmãos, Marvin é uma criança confusa com sua própria sexualidade. Entre o bullying pesado no colégio e o preconceito velado dentro de casa, o garoto se sente deslocado do mundo ao seu redor.

Em ambas as linhas temporais, o filme cai em diversos clichês, tanto do cinema francês como da representação das dificuldades de uma pessoa gay. Claro que, para uma temática que vem sendo abordada com mais frequência recentemente, certos aspectos têm que ser reforçados e debatidos, mas o casamento com a narrativa francesa não traz muito de novo para o espectador até determinado ponto do filme.

Mas é justamente a estética e linguagem do cinema francês que fazem o filme dar uma reviravolta e surpreender o espectador. Ao humanizar a família que o trata com desdém pela sua sexualidade e mostrar que existe um carinho e culpa por serem produtos do meio em que vivem, o longa cria uma maior imersão para o espectador e faz com que ele entenda muito mais de todo o contexto.

“Quando uma criança negra é chamada de Negro imundo na rua, ela vai ser confortada em casa, vai se sentir bem. Quando uma criança homossexual é ofendida na rua, ela provavelmente vai voltar pra casa e ouvir as mesmas coisas”. Foi nesse momento em que Marvin passou de um filme comum para algo que prendeu minha atenção e me fez repensar em toda sua trama na saída do cinema até escrever esse texto.

Até poucos momentos antes dessa frase ser dita em cena, o filme caminhava para o lugar comum, mas ao mostrar Marvin como um rapaz que renega sua homossexualidade e reproduz chavões homofóbicos até ser confrontado com essa realidade é algo impactante. A fala é dita por um diretor de teatro ao qual Marvin se afeiçoa por se identificar com a história de vida dele e entender que o teatro pode ser uma ferramenta de libertação do mundo ao qual ele nasceu e foi criado.

A partir desse momento é muito difícil não se emocionar com toda a construção de Marvin, que confronta seus pais sobre sua sexualidade e passa a viver uma vida mais livre em questão de relacionamentos afetivos e com pessoas das quais ele não precisa mais esconder que é gay.

Não são todas as cidades do país que tem acesso a filmes europeus de menor alcance nas bilheterias, mas se você morar em algum lugar que o filme estiver em cartaz, vale a pena conferir.

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