Crítica | Jurassic World: Reino Ameaçado

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Como já dizia Iam Malcom (Jeff Goldblum) em Jurassic Park, “a vida sempre encontra um meio”, e isso parece se aplicar perfeitamente a essa sequência, com apenas uma modificação: “os produtores sempre encontram um meio”, em uma clara referência à origem da história desse segundo (ou devo chamar de quinto) filme da saga. Diferentemente do longa anterior, que pelo menos tinha um embasamento firme – os easter eggs e o fan service como elementos inerentes à história e que servem como porta de entrada e retorno de antigos espectadores -, essa continuação deixa claro como a saturação pode afetar uma franquia que desde seu início deveria ter apenas um filme.

A trama se passa três anos após os eventos de Jurassic World, e desta vez, a Ilha Nublar está prestes a ser destruída por conta de um vulcão ativo, deixando os dinossauros que lá habitam em risco iminente de extinção. A partir disso, Claire Dearing (Bryce Dallas Howard) junto de Nick Owen (Chris Pratt) sai em uma expedição para resgatar os animais junto de uma empresa privada.

Logo de início, o filme apresenta seu melhor aspecto, com o personagem de Jeff Goldblum discutindo em um tribunal se esses animais devem ou não ser salvos, incitando que os humanos têm brincado de ser deus – fazendo uma referência clara àquele velho argumento utilizado pelo próprio contra John Hammond no primeiro filme da saga. Em contraposição, a personagem de Claire tenta ressaltar a importância desses animais para o ecossistema – apesar de eles terem sido colocados no planeta Terra artificialmente. O questionamento, que tem aquele quesito reflexivo que Steven Spielberg pretendia quando gravou o primeiro filme, infelizmente logo é esquecida e substituída pelo que o filme realmente é: um montante de explosões e dinossauros em computação gráfica brigando uns contra outros.

Seguindo a mesma tendência criada por Star Wars nos últimos anos, neste filme a fórmula de “quanto maior mais assustador” é levada ao pé da letra e mais uma vez, um dinossauro mais rápido, mais mortal e mais perigoso é criado (déjà vu?) – tornando isso basicamente um elemento intrínseco à franquia, como se fosse a estrela da morte de Jurassic Park. Desta vez, nem mesmo o nome é tão inventivo assim (Indoraptor).

Além dessa repetição clara – corroborando a saturidade da marca -, parece que mais uma vez, assim como já havia acontecido no longa anterior, o roteiro de Colin Trevorrow perde de foco os elementos que são essenciais para o sucesso de Jurassic Park. O terror constante imposto por aquelas criaturas gigantescas, carnívoras e perigosas é superficialmente explorado nos primeiros cinco minutos do filme, mas logo depois é esquecido e volta-se para a nova tendência de muitas explosões e ação.

Em vez disso, J. A. Bayona, diretor do filme, aposta em um longa dinâmico e versátil, mas com elementos previsíveis. Chris Pratt chega em cena parecendo o Rambo, o tipo de personagem que segura a arma e consegue inclusive lutar contra o “dinossauro vilão”. Para complementar, se no primeiro filme houve o início de uma relação entre os homens e os velociraptors, neste isso é consolidado de fato e um deles vira basicamente o herói do filme. Sem mencionar o T-Rex, é claro, que mais uma vez é utilizado como o tiozão da turma, o elemento que aparece em todos os filmes por mera gratuidade e tem algumas cenas típicas de pôster dos anos 80.

A grande questão é que Jurassic Park nunca foi feito para ter uma continuação – o que já afetou a qualidade das primeiras duas continuações. O próprio escritor do livro que deu origem ao filme, Michael Crichton, foi praticamente forçado a escrever uma sequência durante os anos 90. O terror inerente, os personagens interessantes e a originalidade da ideia se perdem neste filme em meio a cenas megalomaníacas por parte de J.A. Bayona, com dinossauros se enfrentando no ar e um protagonista digno dos anos 80, fora de seu tempo. Apesar de tudo isso, a continuação já está confirmada e seguindo a lógica de Colin Trevorrow, no próximo filme teremos um dinossauro do tamanho do World Trade Center. Parece que o filme é uma metalinguagem perfeita: assim como os dinossauros, esta é uma franquia em extinção. Mas infelizmente, os produtores sempre encontram um meio.

 

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