Um olhar afetuoso sobre o êxodo vivido nas pequenas cidades do Brasil é retratado de forma simples mais cativante no documentário Paulistas de Daniel Nolasco.  Ambientado na região de mesmo nome, o filme revela uma cultura que aos poucos está desaparecendo.

Até a década de 1970, o local era uma região rural do sul de Goiás formada por um conjunto de pequenas fazendas, todas com poucos hectares de terra e com agricultura de subsistência. Todos os moradores da região de Paulistas eram de uma mesma família. Este cenário começou a mudar no fim dos anos 80, com a chegada da monocultura da soja no Estado e com a compra dessas fazendas pelos latifundiários. Começou aí o êxodo da população rural para as cidades, transformando a região em um país de população urbana.

O filme acompanha os irmãos Samuel, Vinícius e Rafael que moram em Catalão, mas veio passar as férias em Paulistas. Nolasco opta aqui pela ausência de diálogos ou depoimentos pré-definidos, desta forma proporcionando uma visão de observador ao espectador.

A ida ao médico, o contato com a telefonia, as cantigas da fazenda, plantações de soja, as trilhas de moto, as festas ao som de sertanejo universitário. O velho se mistura com o novo, e nesse contraste a gente vai vendo uma cultura que está se esvaindo, nos escombros da casa antiga ou na floresta morta com a enchente do rio que subiu devido a hidrelétrica.

 

O conhecimento de causa aqui é primordial. Daniel Nolasco é fruto dessa migração, sua mãe se mudou para Catalão quando o mesmo tinha apenas dois anos e pode aos longos dos anos acompanhar as transformações na região.

Paulistas se passa apenas nesta região rural do Goiás, mas a mensagem que traz é comum a outras regiões do Brasil. Esse êxodo é comum nas culturas da região Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país, onde os filhos são enviados para a “cidade grande” para estudar ou trabalhar e voltam apenas à passeio.

– O documentário pretende mostrar através de imagens e sons toda esta contradição. É buscando isso que a câmera sempre manterá uma distância dos personagens, assumindo a posição de observador. Um observador que mantém determinada distância para não ser invasivo, mas que ao mesmo tempo é afetuoso e respeitoso. Que buscará não só registrar a visualidade da região, mas a sonoridade e seu tempo. Esse tempo do campo que é diferente de uma cidade, mesmo das pequenas. Um tempo quase sempre governado pela luz do dia, no qual as pessoas acordam com o nascer do sol e vão se recolher no cair da noite – afirma Nolasco.

O longa estreia no dia 22 de fevereiro na Sessão Vitrine Petrobrás em mais de 20 cidades no Brasil.

Em 2018, a SESSÃO VITRINE PETROBRAS estará nas seguintes cidades: Rio Branco (Cine Teatro Recreio), Maceió (Cine Arte Pajuçara), Fortaleza (Cinema do Dragão), Brasília (Cine Brasília e Espaço Itaú de Cinema Brasília), Vitória (Sesc Gloria), Goiânia (Cine Cultura Goiânia e Lumiere Bouganville 5), São Luís (Cine Lume), João Pessoa (Cine Bangue), Recife (Cine São Luíz, FUNDAJ Cinema do Museu), Teresina (Cine Teresina), Curitiba (Cineplex Batel e Cinemateca de Curitiba), Niterói (Cine Arte UFF), Rio de Janeiro (Espaço Itaú de Cinema Botafogo e Estação Net Rio), Manaus (Casarão de Ideias), Aracaju (Cine Vitória), São Paulo (Espaço Itaú de Cinema Augusta, Cinesystem Morumbi Town e CineArte), Palmas (Cine Cultura Palmas), Porto Alegre (Cine Bancários), Salvador (Espaço Itaú de Cinema Glauber Rocha), Belo Horizonte (Cine Belas Artes, Cine 104), Santos (Cinespaço Miramar), Belém (Cine Líbero Luxardo) entre outras.

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