Crítica | Extraordinário: um verdadeiro ode às diferenças

Quem é diferente? Quem é igual? Como conviver com nossas diferenças? Essas são perguntas bastante contemporâneas e que permeiam o roteiro de Extraordinário. O filme que conta a história de Auggie, um garoto de dez anos que, devido a deficiências de nascença, precisou passar por 27 cirurgias plásticas para conseguir respirar, ver, ouvir e falar, o que o deixou com feições diferentes do habitual.

Potencializado pela excelente interpretação de Jacob Tremblay, o carisma do protagonista é contagiante e envolvente, fazendo com que o expectador crie um laço quase imediato com o garoto. Afinal, quem nunca se sentiu rejeitado? Quem nunca teve dias difíceis na escola? Quem nunca pensou em desistir? Um dos grandes trunfos do filme está em sua capacidade de gerar identificação.

Criado e educado em um ambiente familiar equilibrado, Auggie agora precisa sair do conforto do seio familiar e encarar a difícil missão de se adaptar aos obstáculos do contexto escolar. Bullying, rejeição e traições são algumas das facetas do ‘mundo real’ com as quais o protagonista terá que lidar para viver “como uma criança comum”.

Embora toda a trama gire em torno de August, outras camadas foram adicionadas à história de Extraordinário, como as subtramas de sua irmã, Via (Izabela Vidovic), e de seu melhor amigo, Jack Will (Noah Jupe). Ainda que exploradas de forma superficial, essas histórias paralelas ajudam a entender melhor o contexto do garoto.

Impossível não destacar também as excelentes atuações de Owen Wilson e Julia Roberts, que vivem os pais de Auggie. Com surpreendente maestria, os dois atores conseguem interpretar pais atenciosos sem apelar aos maniqueísmos forçados do gênero.

Desempenho

Extraordinário tinha um difícil missão, compartilhada pela maioria das grandes produções contemporâneas: suprir as altas expectativas criadas pelas campanhas de lançamento da equipe de marketing.

Com uma arrecadação total de $130,322,961 (até o momento) e excelente aceitação de público e crítica (vide as altas notas no rotten tomatoes e imdb), a produção, inspirada na obra homônima de R. J. Palacio, faz jus ao best seller. A acertada direção de Stephen Chbosky consegue trabalhar um tema delicado e triste de forma suave, controlando as emoções do expectador da maneira que se espera de um bom drama.

Considerado pelo público como forte concorrente ao Oscar (antes mesmo de seu lançamento), o filme sem dúvida vale o ingresso, os risos e as lágrimas.

 

 

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