Faz algum tempo que um filme de guerra não emplaca uma estatueta do Oscar, mas parece que nessa edição da premiação há uma nova oportunidade desse jejum ser quebrado.
Baseado em uma história real, ‘Até o último homem’ conta a jornada do médico do exército Desmond T. Doss, interpretado por Andrew Garfield (‘A Rede Social’), durante a Segunda Guerra Mundial, em que se recusa a pegar em armas e matar pessoas. Assim, durante a Batalha de Okinawa, Desmond salva mais de 75 homens e sua postura ganha tanta repercussão que o médico recebe uma Medalha de Honra do Congresso, tornando-se o primeiro Opositor Consciente da história norte-americana.
Dirigido por Mel Gibson (‘Coração Valente’), o filme teve sua première no Festival de Veneza e foi ovacionado pelos críticos, sendo aplaudido de pé por cerca de dez minutos.
Apesar do tom um pouco forçado em algumas cenas, o filme surpreende pela forma sóbria com que relata a fé de Doss e sua fidelidade. Apesar das inúmeras cenas de ação, o verdadeiro cerne do filme é o caráter do militar, que se demonstra inflexível independente das pressões lançadas sobre ele.
Impossível não destacar as fantásticas cenas de guerra exibidas nos filmes. São cenas longas, intensas, com pouca ou nenhuma trilha sonora é recheadas da violência necessária para compreensão dos horrores por trás daquela guerra. São momentos verdadeiramente angustiantes é que fazem até mesmos os mais frios suarem nas cadeiras dos cinemas.
Com uma sonoplastia e fotografia impecáveis, o filme se revela como mais uma grande obra de Gibson, mostrando novamente ao mundo que é possível abordar a religião sem o tom clichê difundido nos filmes da atualidade.
A atuação de Andrew também é um ponto que merece destaque. Apesar do pouco repertório de expressões, o ator já impressiona logo nos primeiros minutos de filme pelo sotaque carregado que utiliza para interpretar Desmond. Não obstante, os olhares e temores ao longo da batalha demonstram perfeitamente o misto entre coragem e pânico de participar de uma guerra. Além de Garfield, completam o elenco Teresa Palmer (Meu Namorado é um Zumbi), Sam Worthington(Avatar), Vince Vaughn (De Repente Pai), Luke Bracey (O Melhor de Mim), Rachel Griffiths(Ela dança. Eu danço), Ryan Corr(Promessas de Guerra) e Hugo Weaving (Matrix).
A edição 2016 do AACTA Awards, o Oscar australiano, consagrou Até o Último Homem, de Mel Gibson, com os prêmios de Melhor Filme, Melhor Direção (Gibson), Melhor Ator (Andrew Garfield), Melhor Ator Coadjuvante (Hugo Weaving) e Melhor Roteiro Adaptado.
Além desses prêmios principais, o filme ainda levou quatro estatuetas técnicas, somando um total de nove prêmios. Não bastasse isso, ondulem ainda emplacou seis indicações ao Oscar. Compete como melhor filme, melhor ator (com Andrew Garfield), melhor montagem, mixagem de som e edição de som. E por fim, a cereja do bolo: Gibson é um dos cinco indicados ao prêmio de direção.
Como as próprias premiações e indicações já demonstram, ‘Até o último homem’ é um excelente filme que consegue equilibrar um enredo fascinante, uma temática polêmica e cenas de ação e drama muito bem construídas, seja do ponto de vista estético ou narrativo. Um filme como a tempos esperávamos, um filme daqueles que só Mel Gibson sabe fazer.
Curiosidades sobre o filme
Um herói humilde 
Quando questionado sobre o número de pessoas que Desmond T. Doss já salvou, ele afirmou diz ser em torno de 50 vidas. No entanto, testemunhas afirmam que o número, a verdade, é em torno de 100. Um acordo mútuo consente que foram 75 vidas salvas por ele.
Uma história marcante
Segundo o diretor Mel Gibson, o filho de Desmond T. Doss compareceu a uma das filmagens e ficou emocionado com a atuação de Garfield.
Coragem 
Uma nota do trailer mostra que Desmond T. Doss, não somente foi a guerra como um opositor consciente, mas esteve à frente de batalha sem sequer estar armado.
Produção “The Flash”
Apesar dos longos anos até sair do papel, o filme precisou apenas de 59 dias para ser filmado.

Comments