A infância é facilmente o melhor período de nossas vidas. Brincadeiras, o amor dos pais e a falta de responsabilidades da vida adulta tornam nossos anos iniciais da vida inocentes como nenhuma outra fase será. Mas o que acontece quando temos essa mesma inocência roubada pela imprevisibilidade da vida? Em O Pintassilgo, somos levados à acompanhar uma jornada tortuosa e surreal de um garoto.

Theo Decker é um pré-adolescente normal. Uma leve rebeldia, um pouco do ar infantil e uma vida toda pela frente. Mas isso muda quando sua mãe morre em um atentado ao museu Metropolitan, em Nova York. A partir daí, acompanhamos o caminho do garoto da maneira como supera esse trauma enquanto pula de casas onde não se sente em um lar e vemos o menino guardar um grande segredo para si.

Com suas quase duas horas e meia de duração, O Pintassilgo é eficiente no seu ritmo para guiar o espectador na vida de Theo. Em momentos alternados da infância e vida adulta, o filme opta por uma narrativa não tão linear para contar uma história de traumas revelados aos poucos, deixando com que o público receba a dose certa de informação para poder analisar as atitudes do protagonista. A única parte mais arrastada do filme se dá perto do fim, quando se inicia uma conclusão que demora um pouco para de fato acontecer.

Nas mãos de Oakes Fegley e Ansel Elgort, o protagonista realmente ganha várias camadas de interpretação e profundidade. O mérito maior fica para Fegley, que interpreta a versão jovem do personagem e que vive os maiores pontos da vida de Theo. Isso não quer dizer que Elgort esteja ruim, ainda mais se a sua única referência do ator forem os fracos trabalhos em Baby Driver e A Culpa é das Estrelas, mas a vida adulta de Decker é mais importante para o desenrolar da trama do que desenvolvimento pessoal.

O elenco de apoio também é digno de elogios. Nicole Kidman à princípio parece uma versão genérica de mãe adotiva da ficção, mas isso se mostra apenas uma das faces de sua personagem, que possivelmente é a que mais tem uma mudança perceptível no decorrer da produção.

Outra grata surpresa é Luke Wilson, que interpreta o pai biológico de Theo. Geralmente em comédias e na sombra do irmão mais velho, Owen, Luke se mostra um homem quebrado e falho com todos ao seu redor, principalmente o filho.

Do lado negativo das atuações fica Jeffrey Wright, que parece já estar no automático durante todo o decorrer do filme.

A direção não se arrisca tanto, mas é funcional para a história que quer contar. Em alguns momentos é pragmática para fazer a história a andar, mas sabe parar nos momentos introspectivos e de reflexão.

Comments