Até pouco tempo atrás, um filme sobre o Coringa não era algo que animava muito. Por mais que já tenha sido abordada algumas vezes nos quadrinhos, a origem do Palhaço do Crime é conturbada e incerta, o que sempre foi uma marca registrada do personagem. Assim, um filme que tivesse como principal objetivo contar a história do vilão parecia ser uma ideia pouco promissora. Felizmente, o longa consegue superar qualquer expectativa.

Em Coringa somos apresentados a Arthur Fleck, um comediante fracassado que foi completamente abandonado pelo sistema fragmentado de Gotham City. Aos poucos, a sanidade mental de Arthur chega ao seu limite, e passamos a acompanhar a transição do comediante perturbado para um famoso criminoso que viria a ser conhecido como Coringa.

É importante especificar (por mais que você, leitor, talvez já esteja mais do que cansado em saber) que Coringa é, sobretudo, um excelente filme sobre estudo de personagem. Durante as suas duas horas, o espectador entra na mente de Arthur Fleck e é colocados a frente de todas as suas perturbações (as quais, aos poucos, levam o homem à insanidade). Assistir ao filme não é tarefa simples. O longa necessita de um tempo para ser digerido, causando inquietação  e desconforto a todo tempo – o tom esperado para o filme do vilão mais insano que já foi criado.

O trabalho de Joaquin Phoenix é ponto alto da obra. Através da expressão corporal e facial, o ator consegue transparecer toda a loucura do personagem, assim como as suas aflições, exprimindo toda a complexidade e profundidade presentes no roteiro. Phoenix se entrega totalmente ao papel, apresentando uma versão completamente original do Palhaço, sendo o grande pilar que sustenta o filme.

A direção de Todd Phillips também se sobressai, e o teor artístico de Coringa acaba sendo algo completamente novo para o gênero. Afinal,  a maturidade e técnica presentes na obra nunca foram vistas antes em um filme de “super-heróis”. Phillips apresenta uma visão interessantíssima do personagem, a qual, somada ao incrível trabalho de Joaquin Phoenix, fazem com que Coringa seja uma verdadeira obra-prima.

A essência do vilão permeia todo o longa. A perturbação e a insanidade do personagem são as grandes protagonistas, sendo essas responsáveis por enfatizar a mensagem presente no roteiro. O que Coringa tem de desconfortável, tem de majestoso. Esse é, sem dúvida alguma, o filme definitivo do vilão.

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