É extremamente frustrante quando um filme se propõe entreter, porém, na verdade, há uma ausência significativa de carisma que faça aquela história merecer nossa atenção por mais de 1 hora e meia. Por sorte (ou não!), muitas dessas obras fracas estão saindo no catálogo da Netflix e não nos cinemas, o que seria um total desperdício de tempo e dinheiro investido em algo que, certamente, até pode divertir algumas pessoas, mas não se tornará relevante por mais do que o tempo que a projeção durar. E a comédia romântica ‘Amor em Obras’ (Falling Inn Love) é o perfeito exemplo disso: apenas mais um filme sem nada a dizer e nada a acrescentar ao tão ultrapassado gênero.

A direção de Roger Kumble (Tudo Para Ficar Com Ele), que vem de uma extensa experiência no gênero, mostra que, de fato, seu realizador ficou preso no tempo, ao cair nos mesmos clichês e erros cometidos inúmeras vezes no passado. Ao melhor estilo “Sessão da Tarde”, ou das comédias com a Jennifer Lopez, a trama segue uma jovem independente (alegoria do roteiro para parecer que está atualizado com a nova geração!) que vê seu mundo virar de pernas para o ar quando perde seu emprego e namorado e, ingenuamente, ganha uma suspeita promoção online e adquire uma pousada na Nova Zelândia de graça. Porém, ao chegar ao local, percebe que o “presente de grego” vai dar mais trabalho e dor de cabeça do que esperava. Acrescente à essa premissa um galã sem sal e sem carisma (Adam Demos), uma protagonista desastrada e um romance que não convence e pronto, a trama está completa.

Para piorar a situação do roteiro maçante e cheio de “deus ex machina”, que até anda, mas não instiga nossa curiosidade ou mesmo nossa vontade de saber como aquela história vai terminar, já que é perfeitamente previsível todos os passos dados e o espectador, que já está com o pensamento na frente, fica apenas aguardando a trama chegar onde já era óbvio, o humor não funciona a maior parte do tempo. As piadas são toscas, baseadas em personagens desastrosos e no cotidiano desinteressante da cidadezinha onde a história se passa.

Ou seja, fracassa na comédia que se propõe, porém, fracassa ainda mais no romance. O casal até consegue ter alguma mínima química juntos, mas não um amor caloroso como o roteiro quer alcançar. A veracidade do casal termina onde começa a atuação do elenco, em especial, da protagonista, vivida por Christina Milian (The Oath), que começa divertida, mas não demora muito para seu humor exagerado se tornar enjoativo. Fora isso, ninguém mais (incluindo coadjuvantes) entrega um trabalho realmente apreciativo.

Ainda assim, apesar da dificuldade em acertar o tom, há alguns elementos que valem à pena serem destacados como positivos, entre eles, a direção do fotografia que, apesar de abusar do uso de desfoque em alguns planos, a utilização de luz natural agrega à obra uma energia nostálgica e solar, um clima interessante para se passar um filme de romance, como por exemplo, fez o drama ‘Me Chame Pelo Seu Nome’. Outro ponto positivo fica para a montagem, que busca equilibrar a falta de história com cortes rápidos, dando ao longa um ritmo razoável. Infelizmente, fora a parte técnica, pouco se salva em um romance onde um bode é naturalmente mais engraçado do que o restante dos personagens.

Dessa forma, ‘Amor em Obras’ tenta ser uma comédia escapista sobre realizar sonhos, mas amarga com seu humor exagerado e um romance sem sal que não convence. Se o desejo é ver construção, é melhor ir assistir um daqueles reality shows sobre reforma de casas, afinal, a distração é garantida, sem precisar se aprofundar em uma trama que não tem absolutamente nada a acrescentar. Facilmente esquecível.

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