O primeiro filme da Marvel pós-Ultimato poderia ter um grande fardo para carregar, mas Homem-Aranha: Longe de Casa escolheu seu próprio caminho para continuar o legado do MCU após a conclusão épica da jornada de 11 anos da editora nos cinemas. Com carisma e uma boa interação entre os personagens, Longe de Casa estabelece uma estrada mais seguras para as produções futuras e coloca o Homem-Aranha como um dos protagonistas da próxima fase dos maiores heróis da terra nas telonas.

8 meses após os eventos de Ultimato, o mundo ainda se acostuma a ter metade da sua população de volta num estalar de dedos. O Evento, apelidado de “the blip” mudou a dinâmica das escolas, dos moradores e diversos outros setores. Peter ainda tenta lidar com a loucura de ter sumido por 5 anos e quer aproveitar uma viagem escolar à Europa para poder, mesmo que por um curto período de tempo, tentar ser um adolescente normal. Óbvio que em um mundo no qual um gigante roxo matou metade do universo, descanso é a última coisa que o jovem Aranha ia conseguir.

Um dos pontos positivos do filme é a escolha por narrar o filme como uma comédia dos anos 80. Mesmo que ainda use muito da “fórmula Marvel” dos filmes anteriores, Longe de Casa se aproveita do entrosamento do elenco e cenário europeu para emular algo que poderia facilmente estar em um filme de Dudley Moore ou com roteiro de John Hughes.

Spider-Man in Columbia Pictures’ SPIDER-MAN: ™ FAR FROM HOME

A interação de Peter com MJ (Zendaya) e Ned (Jacob Batalon) conduz o primeiro ato do longa, que toma o seu tempo par mostrar o mundo pós Thanos e as mudanças que isso trouxe à escola. Por conta disso, o público demora bastante para poder ver de fato o Homem-Aranha na telona.

Quando a ação do filme começa, entretanto, o ritmo não diminui em nenhum momento. A adição de Mysterio e Nick Fury adiciona novos personagens e forma de Peter interagir com eles. Com a ausência de Tony Stark nesse novo mundo, o Homem-Aranha fica deslocado pela falta de uma figura paterna para se espelhar.

Esse talvez seja o principal ponto negativo do filme. Sendo a quinta vez que o personagem aracnídeo aparece no universo Marvel, já era de se esperar um pouco mais de maturidade e independência do protagonista. Mas essa ausência de liderança é suprida pelo papel de Jake Gyllenhaal, que torna Mysterio um personagem carismático na medida certa ao andar da história.

As reviravoltas da trama, apesar de já imaginadas para o público consumidor de quadrinhos, não deixa de ser impactante da forma como é desenvolvida.

Outro desenvolvimento que merece destaque é o próprio microverso do Homem-Aranha. Com pequenas cenas e adições de fala, os personagens ao redor de Peter ganham mais profundidade e até mesmo deixam ganchos para um possível terceiro filme.

Por fim, Homem-Aranha: Longe de Casa abre caminho para a nova fase da Marvel, entendendo que por mais que a fórmula do estúdio tenha dado certo até aqui, é hora de dar personalidade para cada filme com tramas menores e maior desenvolvimento de background.

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