Quando o primeiro Homens de Preto chegou aos cinemas, em 1997, podemos dizer que o mercado de cinema como conhecemos hoje ainda era “tudo mato”. 22 anos e 3 filmes depois, a franquia chega ao seu quarto longa metragem apostando mais em uma narrativa de universo compartilhado similar ao que vemos no mundo dos super-heróis. Sem o intuito de ser um marco cinematográfico e apenas um filme de ação com gancho para sequências, MIB: Homens de Preto – Internacional acerta na dinâmica dos personagens e em não se levar a sério.

Quando Molly era apenas uma criança, ela viu homens com terno preto buscarem um alien em sua casa e apagarem a memória de seus pais com um pequeno aparelho de flash. Desde então ela ficou obcecada em descobrir quem eram as pessoas por trás disso e como faria para se tornar uma delas.  A obstinação de Molly é recompensada e ela vira uma integrante do MIB enviada para Londres em fase de teste, onde ficará ao lado do Agente H (Chris Hemsworth) para proteger a terra de invasores indesejados.

O grande trunfo do filme é deixar a história ser contada pelos personagens que a protagonizam.  O diretor F. Gray não é conhecido por ser alguém com assinatura ou filmes muito marcantes, então deixa nas mãos de seu casal protagonista a responsabilidade da narrativa. Tessa Thompson realmente rouba a cena como Agente M e todos os seus trejeitos. A comédia da personagem reside muito mais nos olhares, gestos e trejeitos do que em uma comédia física ou em seus diálogos. A parte mais escrachada fica justamente com Hemsworth, que parece ter sido descoberto para o humor depois de Thor: Ragnarok e As Caça-Fantasmas. Todas as gargalhadas arrancadas pelo personagem vêm de diálogos caricatos e quedas, pancadas e escorregões.

MEN IN BLACK: INTERNATIONAL
Agent H (Chris Hemsworth) and Agent M (Tessa Thompson)

Essa interação torna o filme muito mais uma retratação de uma missão do que a origem de Molly, do Agente H ou dos vilões. Esse se torna mais um ponto positivo pois ajuda o filme a não ficar com barrigas ou trechos mais lentos. O espectador realmente embarca no andamento do filme e não fica com a sensação de que ele está sendo arrastado.

O ponto negativo fica por conta da sequência final, que sofreu refilmagens durante a produção e isso fica evidente por certos cortes que parecem ter eliminados sequências inteiras e deixando um pouco confusa a conclusão.

Mas no fim das contas MIB Internacional é um novo começo para um novo tempo dos filmes de ação. Com muito mais cara de uma produção Marvel, o longa aposta em um franquia e no carisma de seus personagens. Pode funcionar com muita gente, como o meu caso, mas certeza que vai gerar alguns olhares tortos.

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