Dezenove anos atrás uma equipe saia dos quadrinhos para começar uma revolução nos cinemas, mesmo que ainda não pudéssemos nos dar conta disso na época. Os X-Men foram o início dos filmes de super-heróis como conhecemos hoje e fazem parte de toda uma geração que cresceu lendo os personagens nos anos 90 e que viu os filhos do átomo na telona durante a virada do milênio. É mais do que justo que, após a venda Fox para a Disney, a franquia recebesse uma despedida digna. Infelizmente, não é o caso de X-Men: Fênix Negra.

A trama continua alguns anos depois dos acontecimentos de Apocalipse e acompanhamos a equipe agora como uma força reconhecida no mundo do todo e que vem caindo nas graças do público. Tudo muda quando Jean Grey quase morre em uma missão espacial e volta se sentindo diferente.

Talvez o problema principal do longa já comece em sua trama. A saga da Fênix Negra já foi exibida para os fãs dos mutantes em desenho e no horroroso X-Men 3. O próprio nome da personagem dá a entender que existe um sacrifício a ser feito e é óbvio que o público sabe que vai ser Jean.

Mas para isso o público precisa ter empatia com os personagens. Claro que a maioria estava ali desde os primeiros filmes, mas interpretados por outro elenco. É difícil pedir comoção por atores que conhecemos como coadjuvantes em Apocalipse.

E a culpa nem fica somente na péssima qualidade do filme anterior, os jovens mutantes de Fênix Negra não conseguem sustentar nem mesmo o drama raso que a trama tenta impor. Toda vez que uma cena foge da tríade James McAvoy, Michael Fassbender e Jennifer Lawrence os diálogos soam ainda mais falsos. Sophie Turner definitivamente não nos faz acreditar no que Jean Grey está passando e sua relação com Cíclope, interpretado por Tye Sheridan, soa mais falsa do que nos 3 primeiros filmes da franquia, quando o casal basicamente vivia em crise nas telonas.

Mas se os diálogos não soam tão falsos na mão dos atores mais experientes, o andamento da história não ajuda. Lawrence que inclusive já está totalmente em modo automático, mesmo tendo um papel de menor destaque, serve apenas como uma ferramenta de roteiro e força uma lembrança do romance com Nicolas Hoult que não foi bem trabalhado desde Primeira Classe.

Magneto, que sempre foi um dos maiores personagem da franquia nos cinemas, é totalmente irrelevante para a trama e serve apenas para usar o contrato de Michael Fassbender. O mestre do magnetismo aparece com uma opinião diferente de acordo com o que o filme pede, não existe justificativa ou construção para as ações dele.

A única narrativa que de fato é desenvolvida é a nova visão dos personagens sobre Charles Xavier. O Professor X é desconstruído de sua visão mais clássica durante toda a duração do filme, mas que é resolvida em 5 minutos e de qualquer maneira. Um claro desperdício da atuação de James McAvoy.

Os antagonistas do filme merecem um destaque, mesmo que curto. Sem maiores explicações ou desenvolvimento, eles querem usar a força fênix. É isso. Eu não estou brincando, é isso que o filme mostra.

O lado positivo fica por conta dos efeitos, que realmente estão muito bons e deixam as cenas de ação mais interessantes e nos ajudam a continuar sentados na cadeira, mesmo com todos os erros na tela grande.

X-Men: Fênix Negra falha em nos entregar uma conclusão digna. Não funciona como uma introdução de um elenco mais jovem e nem mais apontar um novo rumo para a franquia, independentemente de sua compra ou não. Em uma série de filmes que já pontuou seu final em Logan e Dias de um Futuro Esquecido, Fênix Negra não pode ganhar outra definição que não a de “desnecessário”.

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