Apocalipse distópico é um tema que rendeu muito nos cinemas e aqui ou ali consegue trazer coisas novas na TV. Nas telonas vimos as Saga Jogos Vorazes e Maze Runner prosperarem e a saga Divergente flopar ao ponto de nunca ter um final. Já nas telinhas temos The 100 se reinventando em sua sexta temporada e 3%, primeira série original Netflix brasileira, que está chegando a sua terceira temporada.

Voltando um pouco no tempo vamos relembrar que 3% era uma websérie que teve o seu piloto publicado no Youtube e conseguiu uma casa na Netflix para ganhar vida. A proposta de uma sociedade dividida entre pobreza e privilégios onde “por mérito” apenas três por cento da população poderia passar para o lado bom conhecido como Maralto é interessante e chama a atenção, porém pensando apenas nisso seria fácil de saturar. Felizmente, a série vem se reinventando ano após ano.

A primeira temporada, que contou com um baixo orçamento, foi bastante criticada apesar do potencial que todos enxergavam na série de ir além. Nos primeiros episódios vimos o Processo, conhecemos os personagens, suas vidas no Continente, e criamos empatia por alguns por entender os motivos pelo qual eles deveriam passar no Processo, porém faltava algo mais, só conhecíamos o Maralto de ouvir falar.

Então, na segunda temporada conhecemos o Maralto, a vida dos que conseguiram passar no processo e vemos as lutas e algumas decepções ao perceber que lá não era o paraíso que tinham vendido. Além disso, a segunda temporada nos apresenta o casal (trisal) fundador e como foi gerada a ideia dessa nova sociedade. Ao final da temporada, vimos os protagonistas saindo do Maralto e indo para um novo lugar chamado Concha, uma solução a falta de estrutura do Continente e a falta de oportunidades para morar no Maralto.

A nova leva de episódios expande o universo desse apocalipse e mostra que ainda há muito a ser explorado nessa sociedade que está tentando se reestabelecer. Se Joana (Vaneza Oliveira) dominou a segunda temporada, agora Michele (Bianca Comparato) é o grande destaque.

Bianca consegue exprimir toda evolução que a sua personagem passou durante a série e nos mostra agora uma líder convincente que tem seus princípios estabelecidos porém posto a prova quando percebe que não há outra saída a não ser implantar um processo na Concha – nesse caso, reverso, quem perder sai da concha. Michele luta por aquilo que ela mais combateu e chega a ser chamada de Ezequiele por Joana, e claramente veremos nela as marcas do personagem vivido por João Miguel.

Temos ainda uma Joana implacável em seus propósitos e a atuação de Vaneza Oliveira entrega toda a garra da personagem que está disposta a enfrentar tudo e todos pela sua causa.

Rafael (Rodolfo Valente) parecerá um pouco perdido nos primeiros episódios, mas a virada do personagem é fantástica. Marco (Rafael Lozano) parece ter sua jornada de redenção completada e um lado mais humano desponta nessa temporada. Marcela (Laila Garin) permanece como grande vilã da série, uma encarnação do que o Maralto representa. Marcela é astuta em seus planos mesmo que aparentemente esteja tentando fazer o bem.

Tudo se expande nessa nova temporada. O roteiro consegue dar respostas que estavam pendentes ao público, apresentar novos personagens e a Concha e criar plots twists intrigantes ao longo da temporada, tudo isso sem pressa ou enrolação.

Ao final, fica aquela sensação boa de que a série está crescendo e sabe bem onde quer chegar. 3% continua construindo o seu legado na Netflix, desconstruindo estereótipos das produções nacionais e conquistando o coração do público.

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