Por trás da Terra Média, do Condado, das Simarils, de Frodo, Bilbo, Smaug, Sam, Gandalf, Beren, Lúthien e muitos outros personagens que residem no grande Mundo de Eä, existiu uma mente brilhante. Seu nome, John Ronald Reuel Tolkien, ou somente J.R.R.Tolkien. Sempre fascinado por assuntos relacionados à linguística, Tolkien criou um outro universo, com suas próprias leis, histórias e, é claro, idiomas. De suas obras mais renomadas podemos citar O Hobbit, O Senhor dos Anéis e O Silmarillion, as quais se tornaram um fenômeno descomunal e até hoje estão fortemente presente na vida de milhares de fãs ao redor de todo o mundo.

Sua recém estreada cinebiografia, intitulada Tolkien, busca relatar um pouco da história desse célebre contador de histórias, assim como as suas principais inspirações e motivações. O filme narra a vida de Tolkien desde sua mudança de Sharehole, na Inglaterra, para Birmighan, passa por sua formação acadêmica, seu romance com Edith Bratt, seu tempo como soldado na Primeira Grande Guerra e culmina nas primeiras palavras do que viria a ser conhecido como O Hobbit.

O filme mescla aspectos do mundo real  com vislumbres do que viriam a ser o mundo fictício de Tolkien. O roteiro faz uma escolha interessante e decide não seguir uma forma linear de narrativa, alternando entre o presente (retratado pela Guerra na qual Tolkien servia como soldado) e o passado (este, sendo apresentado por memórias do escritor de seus amigos, de sua família e de seu grande amor).

A relação entre os personagens é muito orgânica. Tanto entre Tolkien e Edith Bratt, quanto entre o protagonista e seus amigos de infância. Essas pessoas foram, na vida de Tolkien, grande motivações para que ele fizesse tudo o que fez, e o roteiro acerta em cheio ao enfatizar esses relacionamentos. Isso ainda é fortalecido pelo belo trabalho do elenco e a química que os atores desenvolvem entre si.

Apesar de tudo isso, o filme não apresenta muita originalidade. A história é contada de forma muito simples, sem trazer nenhuma grande novidade para o gênero. O longa não faz questão de implementar uma marca de personalidade e, no fim, acaba sendo sustentado somente pela fascinante história de seu protagonista.

Existem muitas histórias escritas por J.R.R. Tolkien, mas só uma sobre esse grande autor. Uma história que, de fato, merece ser ouvida por muitos. Os fãs do autor com certeza vão se deliciar com as referências às suas obras que estão presentes no filme. Mas mesmo aqueles que são totalmente leigos sobre Eä deveriam dar uma chance à Tolkien. Afinal, uma mente brilhante sempre será uma mente brilhante. E elas merecem nossa atenção.

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