Rocket Man é uma das músicas mais marcantes do século 20. Quando lançada em 1972 já era possível imaginar que seria um hit, mas nem mesmo Elton John seria capaz de prever que um dia seria também o título do filme sobre sua vida. Excêntrico, colorido, extravagante e musical, Rocketman é a única maneira de mostrar a pluralidade do cantor britânico. Porém não ache que as semelhanças da cinebiografia com a carreira de Elton acabam no título, ao sentar na cadeira, o espectador é inundado com uma história linda e tocante.

Não há muito que se aprofundar na trama, mas é importante destacar que ela se foca nos anos de maior badalação da vida de Elton John, encerrando sua jornada por volta do período em que o cantor busca se livrar do vício em drogas e álcool. Isso permite com que o filme seja recheado de momentos de loucura e genialidade que apenas a ascensão meteórica de um Rockstar poderia ter.

Nesse quesito a interferência do próprio John é importantíssima para Rocketman. Enquanto algumas biografias optaram por omitir os detalhes mais sórdidos dos protagonistas (sim, eu estou olhando para você, Bohemian Rhapsody), o próprio cantor fez questão de incluir detalhes do uso de drogas e de encontros sexuais mais picantes que viveu. Não somente deixa tudo mais crível, como também ajuda a entender a loucura que o mundo das celebridades é.

Os exageros e excessos do mundo da música também ganham muito destaque na forma como o filme se apresenta. Rocketman é um musical em sua estrutura, mas não uma versão hollywoodiana pasteurizada como alguns exemplos recentes. O que se vê na telona é um musical da Broadway com pitadas dos clássicos do cinema antigo. Cenários mirabolantes e móveis com muita dança e enquadramentos que deixam clara a inspiração no teatro.

Rocketman
Taron Egerton como Elton John

A opção por um musical também ajuda no modo como a jornada é contada. A música é utilizada para contar a história no momento em que ela precisa ser usada e não no momento cronológico em que ela foi composta ou gravada. Essa escolha gerou momentos belíssimos, como quando toda família de Elton, que ainda era um jovem Reginald Dwight, cantando I Want Love, uma canção que só seria lançada no início dos anos 2000.

A suspensão de descrença que pessoas cantando e dançando em sincronia causa também ajuda o espectador a sair da cena em questão e entrar na poesia das canções. Rocket Man não tem tanto destaque quanto se esperaria de uma música título de filme, mas ela conta a história que precisa. Nós entendemos o que a letra quer dizer e porque ela foi usada no contexto.

Mas o maior trunfo da película é, apesar de toda a loucura e exagero que um musical sobre a vida de uma celebridade tem, ser uma história profundamente humana. Todo excesso, composição e vício tem o fundo em uma experiência, seja ela traumática ou não. Quando Elton John nos mostra que ele é o “homem foguete” ele também nos mostra que é um garoto que não teve amor do pai e que lutou pela aprovação da mãe. Enquanto retornava copos e mais copos de uísque, o músico nos mostra que as vezes tudo poderia ser resolvido por um abraço ou um relacionamento saudável.

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Ao fim do filme é difícil manter os pés no chão. A combinação de músicas, boa história e a beleza dos conflitos humanos faz com que você saia mais leve. Talvez, no fim das contas, o filme nos faça um pouco homens foguete.

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