Sétimo filme de Karim Aïnouz,A VIDA INVISÍVEL DE EURÍDICE GUSMÃO’ fez a sua estreia mundial ontem, segunda-feira, no Festival de Cannes, dentro da mostra Un Certain Regard, mesma divisão na qual o diretor lançou, em 2002, ‘Madame Satã’, primeiro longa de sua carreira. A sessão teve reação entusiasmada da plateia, que aplaudiu o filme por mais de 15 minutos. Após a exibição, o diretor dedicou o trabalho às mães solo e às mulheres que resistem:

O Brasil é um dos países que mais mata mulheres no mundo e também um dos países com o maior numero de mães solo. Eu dedico este filme as estas e a todas as mulheres. Eu gostaria de homenagear não a sobrevivência, mas a resistência. É importante também falarmos sobre a intolerância, esse sentimento devastador que ameaça e divide não só o Brasil, mas o mundo inteiro e contra o qual o amor é uma das formas mais poderosas de resistência’, disse Karim, que também fez questão de agradecer a generosidade de Fernanda Montenegro, atriz convidada do longa.

O diretor ainda dedicou a sessão a todos os que estiveram na rua durante o 15M, lutando pela continuidade da educação no Brasil e pelo futuro. ‘Somos sempre mais fortes juntos do que separados’, disse Karim.

Em pouco tempo, o filme já recebeu elogios de algumas das mais prestigiosas publicações do segmento de cinema no mundo. Segundo David Rooney, do The Hollywood Reporter, “‘A Vida Invisível de Eurídice Gusmão’ é um drama assombroso que celebra a resiliência das mulheres, mesmo quando elas suportam existências combalidas”, diz Rooney, que ainda chama a atenção para as texturas brilhantes, as cores ousadas e os sons exuberantes que servem para ”intensificar a intimidade do deslumbrante melodrama de Karim Aïnouz sobre mulheres cujas independências mentais permanecem inalteradas, mesmo quando seus sonhos são destruídos por uma sociedade patriarcal sufocante”.

Já para Lee Marshall, do Screen Daily, Karim prova que o “eletrizante e emocionante” filme de época pode ser apresentado de forma verdadeira e ao mesmo tempo ser um deleite. “Com a forte reação crítica e o boca-a-boca que essa contundente e bem-acabada saga familiar parece suscitar, é quase certo que o filme viaje para além do Brasil e dos territórios de língua portuguesa”, prevê o crítico, que adverte: “É melhor você deixar um lenço separado para as cenas finais”.

Livre adaptação do romance homônimo de Martha Batalha, ‘A VIDA INVISÍVEL DE EURÍDICE GUSMÃO’, que tem previsão de lançamento no circuito comercial em novembro deste ano, é uma produção da RT Features, de Rodrigo Teixeira, em coprodução com a alemã The Match Factory e os brasileiros Sony Pictures Brasil, Canal Brasil e Naymar (infraestrutura audiovisual).

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