Adaptações de jogos de videogame paras as telonas sempre são um martírio de assistir. Pior que isso talvez só adaptações que envolvem interação de personagens digitais com seres humanos. Junte esses dois fatores bomba em um só filme e você terá um desastre. Ou era o que eu achava antes de ir assistir Pokémon: Detetive Pikachu e ficar muito feliz de estar errado, pois os jogos eletrônicos acabam de ganhar mais um exemplo de como ser adaptado.

O filme te convida a acompanhar a vida de Tim Goodman, um jovem que trabalha em uma empresa de seguros e, ao contrário do mundo ao seu redor, não pretende andar acompanhado de monstrinhos com poderes. A vida de Tim dá uma reviravolta inesperada ao descobrir que o pai faleceu e agora ele precisa ir até Ryme City para organizar as coisas. Tudo isso seria fácil de resolver, se ele não tivesse encontrado um Pikachu falante no caminho. Agora, com ajuda do ratinho elétrico, ele vai tentar descobrir se seu pai morreu de verdade enquanto tenta se acostumar a ter um parceiro Pokémon.

A primeira coisa a se entender sobre o filme é que ele atinge dois públicos diferentes. O alvo mesmo são as crianças, tendo em vista que o filme será dublado em 90% das salas em que vai estar sendo exibido. O segundo demográfico que Detetive Pikachu procura levar aos cinemas é o de fãs nostálgicos, já que não faltam referências e easter eggs em todo momento.

Sabendo disso, podemos dizer que o filme acerta em cheio quem ele vai agradar. Em uma trama simples e boba, Detetive Pikachu cativa os pequenos baseado no carisma do protagonista pokémon e em piadas fáceis de compreender, assim como resolução de problemas bem simples de entender.

O adulto que cresceu jogando e assistindo pokémon também vai sair satisfeito, pois o andamento do filme lembra muito o desenho de Ash e companhia. Não é nada complexo extraordinário, mas ver aquele mundo, com o qual você cresceu, tomando forma e parecendo real é extremamente emocionante.

Além disso, outro grande acerto da produção foi ter utilizado monstrinhos de várias gerações e não se prender somente nos 151 originais. Isso ajuda a dar mais variedade ao ecossistema de um mundo onde os pokémon são animais. Isso é reforçado pelo empenho em colocar pêlos, diferentes texturas de pele e escama nos bichinhos, ajudando a deixar tudo mais crível e um ponto positivíssimo para os efeitos especiais.

Claro que o filme não é perfeito e o lado negativo fica nos ombros dos humanos. Justice Smith é fraco como protagonista de carne e osso e Kathryn Newton tampouco ajuda como a repórter investigativa que ajuda na busca pelo pai de Tim.

A dublagem não ajuda muito, já que só o próprio Pikachu se destaca e tem uma voz marcante e que dá personalidade.

Pokémon: Detetive Pikachu não vai agradar a todos, mas entende que escolheu o público que vai ao cinema para assistir ao filme e nesse exato público ele provavelmente agradará muito. O longa pode inclusive desenvolver ainda mais um universo próprio nos cinemas e, caso faça sucesso, ainda podemos ver muitos monstrinhos nas telonas.

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