Hellboy chegou em sua segunda encarnação nos cinemas cercado de dúvidas desde o anúncio de que o longa seria um reboot. Com um universo bem estabelecido previamente pelo diretor Guilhermo Del Toro e no meio do “boom” de heróis da Marvel e DC nos cinemas, era duvidoso que a nova encarnação do demônio vermelho fosse ter sucesso. Mas, não bastassem todas as dificuldades que o contexto da obra já indicavam, o novo filme do personagem entrega algo fraco e que dificilmente encherá salas de cinema, mesmo que ele fosse o último super-herói da terra ou do inferno.

No século V, uma bruxa imortal ameaçava a Inglaterra e coube ao Rei Arthur impedir que ela dominasse o mundo. Retalhando a feiticeira com a lendária espada Excalibur, Arthur separa as partes do corpo por todo o país com o intuito de que ninguém consiga trazer a vilã de volta. Mas, ao que parece, existem pessoas dispostas a trazerem-na de volta 16 séculos depois.

De cara, o filme já mostra que veio com uma introdução beirando um teledocumentário do History Channel, com uma edição corrida e sem impacto nenhum. Quando o protagonista nos é apresentado, a sensação de falta de ritmo do filme piora em uma cena de luta com péssimos efeitos e sem impacto nenhum. Depois dos 10 minutos iniciais somos levados a acreditar que o início corrido foi apenas um lapso e que agora o filme engrena. Ledo engano.

O diretor Neil Marshall parece mais preocupado em entregar uma série de videoclipes ao invés de um filme coerente e até mesmo as cenas dirigidas com música de guia são desconexas e parecem ter sido feitas por cinco pessoas diferentes que jamais conversaram entre si.

A construção dos personagens usa em alguns momentos a ideia de que já conhecemos esses personagens, algo arriscado para um reboot já que o último filme foi lançado em 2008. Outros são simplesmente jogados de uma maneira conveniente demais para qualquer pessoa achar aceitável.

O visual não é de todo ruim, mas fica difícil competir com um universo previamente desenhado por Del Toro, um dos maiores apaixonados por monstros do cinema atual. Os pontos positivos ficam para Baba Yaga e o ser porco humanoide, que conseguem se destacar dos demais.

David Harbour entrega um Hellboy essencialmente melhor que o de Ron Pearlman em personalidade e entonação de voz, mas o visual soa falso demais para que você compre a ideia de um novo vermelhão. Ian McShane e Mila Jovovich não se deram ao trabalho de interpretarem e simplesmente fazem eles mesmos na tela grande.

Hellboy deixa um gosto amargo na boca para quem gosta e sabe do potencial do personagem e, se não fosse sua antiga encarnação nos cinemas, dificilmente seria lembrado e talvez até caísse no mesmo fosso que paródias como ‘Super-Herói, o Filme’.

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