11 anos atrás, uma das jornadas mais memoráveis da história do cinema começava com um bilionário, gênio, playboy e filantropo tentando mudar de vida e precisando montar uma armadura para salvar sua própria vida. Depois disso, fomos apresentados ao deus do trovão que precisava provar que era realmente digno de seus poderes, além de ter que enfrentar o irmão trapaceiro. Em seguida, conhecemos o primeiro herói de todos: um soldado com um código de honra e o desejo de fazer o bem, utilizando um escudo bacana e socando nazistas. Os anos passaram e vários outros heróis se juntaram a eles e assim foi formado o Universo Cinematográfico da Marvel e, agora, tudo isso chega ao fim, ao mesmo tempo em que dá início a uma nova etapa. Vingadores: Ultimato é o ápice destes 11 anos de filmes, amarrando as pontas que faltavam, concluindo histórias e dando novos passos rumo ao futuro. 

Este filme trata basicamente de consequências. No primeiro plano, as consequências daquilo que Thanos fez em Guerra Infinita, quando eliminou metade do universo depois de estalar os dedos e mostrando como isso impactou a vida de todos esses heróis. Mas, no fim das contas, é muito mais do que isso: mostra as consequências destes 11 anos de aventuras na vida de cada um desses personagens. Os sacrifícios necessários ao longo dos filmes, os entraves internos que tiveram e o peso de ser um herói. Não é só colocar uma armadura legal, pegar o martelo e invocar trovões ou saber jogar um escudo no inimigo. Existe um peso, uma mácula e o filme consegue exprimir muito bem isso, especialmente nos diálogos dos protagonistas.

Como já era de se esperar, o escopo do filme é enorme – ainda maior do que Guerra Infinita. São mais de três horas e o longa consegue aproveitar cada minuto ao máximo, com tudo aquilo que os fãs queriam ver e ainda mais (sério, confie em mim). Não vou entrar em nenhum detalhe aqui para que você possa curtir a experiência da melhor forma possível, mas de fato a história consegue honrar tudo aquilo que os Vingadores foram ao longo de todos esses anos. Apesar das três horas, que supostamente parecem longas, o filme tem dinamismo e ritmo de maneira perfeita e sabe equilibrar isso com as cenas de ação, que estão esplendorosas.

Inclusive, a direção dos irmãos Joe e Anthony Russo é uma das melhores coisas do longa. Os dois sabem trabalhar muito bem cenas de luta corporal, como já haviam mostrado com muita qualidade nos últimos dois filmes do Capitão América, e assim como haviam feito em Guerra Infinita, o nível aqui é elevado. As cenas de batalha são magníficas e, pela primeira vez na história do cinema, conseguiram realmente exprimir em tela aquilo que apenas os quadrinhos conseguiam, com câmeras laterais acompanhando exércitos e mostrando o choque do bem e do mal. E o mais interessante é que cada super-herói tem seu momento no filme. Não se preocupe, cada um brilha de alguma forma e te leva a dar aquele grande sorriso.

O roteiro era realmente a grande preocupação dos fãs. Afinal, como encerrar a jornada desses heróis, a história de Thanos, mostrar uma última batalha pelo universo e ainda deixar um gancho para o futuro dessa trama? Parece impossível, certo? Bom, fique tranquilo porque a história dos roteiristas Christopher Markus e Stephen McFeely é amarrada da melhor forma possível, honrando tudo o que estes 11 anos de Universo Marvel construíram, encerrando histórias que já não tinham mais nada para contar e deixando espaço para que a nova geração assuma. Como dito, é uma história sobre consequências. Mais do que apenas em relação ao estalo, mas sim a tudo o que esses personagens viveram ao longo desses anos e isso é explorado a fundo, da melhor forma possível.

É impressionante a forma como este filme consegue ser o maior e melhor do universo Marvel. Guerra Infinita era gigantesco, na questão de escopo e números de personagens, mas existe uma falta de desenvolvimento e dinamismo na trama – não por falta de qualidade, mas porque a história se propunha a seguir em uma direção. Em Ultimato, o escopo continua grande, o número de personagens e núcleos também, e ainda assim existe sobra para que esse desenvolvimento de personagens e histórias aconteça, de forma que todo aquele apego emocional existente com estes heróis apenas se intensifique.

Foram 11 anos acompanhando esses heróis e essas histórias. Não fique triste. Parte da jornada é o fim. É desta forma que a Marvel encerra um ciclo: com sorrisos, risadas, lágrimas e, novamente, mais alguns sorrisos. Vingadores Ultimato é uma homenagem da melhor forma possível ao Universo Cinematográfico da Marvel, às suas histórias e seus personagens. É um adeus e o fim de uma jornada, mas apenas para o início de outra. Uma nova fase, com novas histórias, novos sorrisos, novas risadas e novas lágrimas. É a forma perfeita de encerrar uma história que durou mais de dez anos, com o maior e melhor filme já feito pelo estúdio.

É o fim. Mas também é um novo começo. Avante Vingadores!

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