De tempos em tempos a gente tem filme de cachorro pipocando no cinema. É cachorro que toca nosso coração pra no final da trama morrer e fazer a gente chorar, cão que se perde na mudança e tem que achar o rumo de casa e até mesmo desenho de uma linda amizade entre uma raposa e um cachorrinho. Nesse vasto cenário A Caminho de Casa surge para tentar se diferenciar dos outros e emocionar a audiência. Ele falha na primeira proposta, mas acerta na segunda.

O longa nos apresenta uma cadelinha de rua, que vive nos escombros de uma casa abandonada em Denver, Colorado. Lá ela convive com gatos de rua, sua mãe e seus irmãos até que o controle de animais leva a maioria deles, deixando-a sozinha com alguns outros felinos. Essa é a vida da pequena cachorrinha até que Lucas, um jovem que trabalha no hospital de veteranos, decide adotá-la, batizando a filhotinha de Bela e dando-lhe um lar.

Se você gosta de animais e tem ou já teve bichinhos de estimação, o filme vai lhe cativar desde o início. A situação de abandono dos cães e gatos é comum em qualquer cidade brasileira e é bem comum vermos pessoas tirando vira-latas da rua para que eles tenham um lar. Não somente isso, a interação de Bela com Lucas e todos ao redor da família expressa bem a alegria que um pet traz aos que decidem criar um.

Lucas (Jonah Hauer-King) and Bella (Amber) in Columbia Pictures’ A DOG’S WAY HOME.

Apesar disso, o verdadeiro desenvolvimento da trama vem com a perda de Bela, que tem que ser levada a outra cidade, mas dá um jeito de escapar para voltar ao seu dono. A partir daí o filme brinca com a emoção do espectador de uma maneira muito mais triste, sob o olhar de um animal perdido que só quer ter de volta o amor de seu dono.

A jornada da cachorrinha Bela é divertida e deve ser atrativa tanto para crianças quanto para adultos. Mas é justamente por querer mirar nesses dois públicos que o filme acaba se perdendo um pouco. Bela é dublada por Bryce Dallas Howard e, em alguns momentos, a voz da protagonista serve como uma muleta para mostrar o óbvio. Muitas cenas do filme poderiam facilmente serem deixadas somente com Shelby, a atriz canina, que conseguia mostrar bem os apuros em que sua personagem estava se metendo.

O filme ainda pode ser visto com uma segunda camada, mais focado nas mudanças a quais somos forçados a passar na vida e o aprendizado que levamos disso. Em várias situações um ciclo parece se repetir e cada vez que isso acontece, Bela leva dele uma lição, sem esquecer o objetivo pelo qual ela começou sua jornada: voltar pra casa.

O filme deve agradar os amantes dos animais e até mesmo arrancar lágrimas e soluços dos mais facilmente emocionáveis.

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