BOI DE LÁGRIMAS, que estreia dia 24 de janeiro é o quarto longa-metragem de Frederico Machado. O filme é uma obra com traços experimentais, que segundo o diretor, é um filme de horror sobre política e cultura popular. Contando a história de maneira livre e abstrata, o filme se concentra em cinco personagens: um homem que é tocador de pandeiro em um grupo de Bumba meu Boi da periferia de São Luís; sua filha, dançarina do Boi que resolve participar das manifestações políticas que ocorrem na cidade; o namorado da filha, que apenas é um escape para o desejo da filha; o amigo da família, que é um personagem que tem sentimentos ambíguos com todos os personagens que o circundam, e sua esposa, que grávida, aguarda com dor o nascimento de seu filho. Esses personagens, avulsos, são trabalhados apenas para servirem como propulsores de sentimentos e dualidades quanto ao momento social, político e cultural de hoje e sempre no Brasil. Mais do que a narrativa, o filme procura descobrir caminhos para linguagens. Feito como cinema de guerrilha, onde a equipe também trabalha como elenco, o filme se constrói sobre a égide da liberdade de criação.

O filme é, em suma, um exercício do fazer cinematográfico. BOI DE LÁGRIMAS foi descrito pela crítica como “um registro de nossa poderosa resistência poética”, fazendo ligações com o cinema de Glauber Rocha. Como atesta o crítico Marco Fialho, “enquanto Glauber era fixado em um conceito modernista das artes, Frederico Machado é mais antenado a uma visão de contemporaneidade. Glauber era afeito à alegoria, inclusive nos discursos de seus personagens, já Frederico prefere recursos mais sóbrios. Mas a similaridade entre os dois vem mais de uma proposta de criar um mosaico que instaura ou assume o caos como realidade”. Além disso, outras comparações são colocadas: BOI DE LÁGRIMAS está inserido num projeto mais amplo, chamado Filme Político, do qual fazem parte não só Machado, mas também os diretores Cristiano Burlan, Dellani Lima e Taciano Valerio Alves Da Silva. Por ser uma obra que utiliza o horror para propulsão do tratamento do tema, fica claro o empréstimo de alguns elementos de, por exemplo, Glauber Rocha, em especial, na fase mais alegórica de sua filmografia, e de David Lynch, cuja pegada art house é comumente usada para gerar incômodo e choque de uma maneira inesperada.

BOI DE LÁGRIMAS foi filmado em três dias, com orçamento de dez mil reais. A equipe e o elenco trabalharam de forma colaborativa. O quinto longa-metragem de Frederico Machado, “As Órbitas da Água”, está em fase de montagem e será lançado em 2019.

Confira o trailer: