Em maio deste ano, a Netflix anunciou a primeira série de animação brasileira, Super Drags. 

A animação traz as aventuras de três jovens com uma vida super normal… durante o dia, Patrick, Donny e Ramon trabalham em uma loja de departamento. Com clientes irritantes e um chefe exigente. À noite, eles liberam suas divas internas para se tornar Lemon Chiffon, Safira Cian e Scarlet Carmesim: três incrivelmente fabulosas Super Drags que foram recrutadas para reunir a comunidade LGBT e espalhar purpurina no mundo.

Em nota, a Sociedade Brasileira de Pediatria declarou o seu repúdio a produção por entender os perigos de utilizar uma linguagem infantil para discutir temas adultos.

Leia abaixo o comunicado:

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), em nome de cerca de 40 mil especialistas na saúde física, mental e emocional de cerca de 60 de milhões de crianças e adolescentes, vê com preocupação o anúncio de estreia, no segundo semestre de 2018, de um desenho animado, a ser exibido em plataforma de streaming, cuja trama gira ao redor de jovens que se transformam em drag queens super-heroínas.

A SBP respeita a diversidade e defende a liberdade de expressão e artística no País, no entanto, alerta para os riscos de se utilizar uma linguagem iminentemente infantil para discutir tópicos próprios do mundo adulto, o que exige maior capacidade cognitiva e de elaboração por parte dos espectadores.

A situação se agrava com o fim da Classificação Indicativa, decretado em sentença do Supremo Tribunal Federal (STF) que declarou inconstitucional o dispositivo do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que estabelece multa e suspensão às emissoras de rádio e TV ao exibirem programas em horário diverso do autorizado pela classificação indicativa.

Essa decisão deixa crianças e adolescentes dependentes, exclusivamente, do bom senso das emissoras de TV e plataformas de streaming, agregando um complicador a mais às relações delicadas existentes no seio da família, do ambiente escolar e da sociedade, de forma em geral.

Isso por conta do risco de exposição indevida desse segmento, por meio de programas, como esse desenho animado, a imagens e conteúdos com menções diretas e/ou indiretas a situações de sexo, de violência, de emprego de linguagem imprópria ou de uso de drogas.

Vários estudos internacionais importantes comprovam os efeitos nocivos, entre crianças e adolescentes, desse tipo de exposição. Ressalte-se o período de extrema vulnerabilidade pela qual passam esses segmentos, com impacto em processos de formação física, mental e emocional.

Sendo assim, a SBP reitera seu compromisso com a liberdade de expressão e com a diversidade, mas apela à plataforma que cancele esse lançamento, como expressão de compromisso do desenvolvimento de futuras gerações.

Além disso, a SBP pede aos políticos que, considerando a impossibilidade de recurso à decisão do STF, reabram o debate sobre a retomada da Classificação Indicativa ouvindo a contribuição dos especialistas, o que permitirá encontrar solução que não comprometa questões artísticas e assegure mecanismos de proteção para o público composto por crianças e adolescentes.

A Netflix defendeu seu posicionamento, salientando que a produção é destinada para adultos, pontuando que a animação não estará disponível em seu catálogo de títulos infantis, que por sinal já se distingue da programação regular, justamente para evitar o acesso impróprio de crianças a conteúdos com grau de censura maior e que também conta com a função de controle parental, que limita o acesso a certos títulos, quando ativado.

Com estreia prevista para o segundo semestre de 2018, a série de cinco episódios criada por Anderson Mahanski, Fernando Mendonça e Paulo Lescaut é produzida pela Combo Estúdio.

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