Talvez uma das maiores preocupações do trabalhador brasileiro da atualidade se chame Aposentadoria. Mudanças nas regras da previdência que tornarão cada vez mais difícil esse direito. Porém, quando essa aposentadoria se dá de maneira forçada, a antiga geração que viveu para trabalhar vive um choque de realidade devido a mudança brusca de suas atividades.

Pela Janela, filme que marca a estreia de Caroline Leone em direção de longas, acompanha a história de Rosália, uma senhora de 65 anos que trabalhou durante toda a sua vida em uma fábrica de reatores em São Paulo. Após mudanças no quadro diretor da fábrica, Rosália é demitida e se depara com a difícil tarefa de preencher suas oito horas laborais com outras coisas. Mas com o quê?

Ao percebê-la deprimida, seu irmão José, decide levá-la em uma viagem à Buenos Aires, onde entregará um carro para a filha do seu patrão. E é nessa viagem onde Rosália vai se encontrar com uma realidade desconhecida por ela durante 65 anos, mas, que ainda há tempo de vivê-la.

Aqui é necessário fazer uma pausa para exaltar a belíssima e sensível atuação de Magali Biff (a Ernestina da primeira versão de Chiquititas). Os princípios do “Menos é Mais” de Stanislavski estão presentes a todo tempo com ela. O filme não precisa se prolongar em muitos diálogos, o olhar deprimido, o rosto enrugado, a felicidade nas pequenas descobertas expressadas por Magali, é o suficiente para o espectador absorver toda a mensagem que o filme quer trazer.

Sensibilidade também trazida pela direção de Leone, que opta por câmeras paradas nos cantos para que apenas seja observado o comportamento da protagonista. E a medida que o filme vai se tornando um road movie a câmera (e o público) se torna mais participante do que se vê Pela Janela.

Cacá Amaral, que interpreta José, brilha no minimalismo, com sua percepção do sentimento desencadeado na irmã, mas também sem forçar comportamentos estereotipados dela.

Tudo em Pela Janela é muito simples, porém, muito intenso. A compra de uma panela, o cantarolar de uma música, ensinar a bordar, o molhar-se nas Cataratas do Iguaçu, descobrir como se fala criança em espanhol. Rosália nos ensina que há muita coisa para se viver, ainda que seja descoberta tarde, ainda há tempo.

O filme participou de 18 festivais nacionais e internacionais em 2017 e foi premiado com o FIPRESCI, prêmio da crítica internacional de cinema, no Festival de Rotterdam, realizado no início do ano, onde foi exibido na seção Bright Future, que apresenta títulos de diretores estreantes. No Washington, DC International Film Festival, que aconteceu em maio, PELA JANELA recebeu o prêmio especial do Júri. Em novembro, o longa ganhou o prêmio de melhor filme no XIII Panorama Internacional Coisa de Cinema, que acontece em Salvador.

O longa estreia no dia 18 de janeiro nos cinemas nacionais dentro do Projeto Sessão Vitrine Petrobras.

 

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