O deserto, as instituições, o mundo rural, a política, a justiça e a psiquiatria são alguns dos temas abordados pelo cineasta Raymond Depardon, de 75 anos, em sua vasta cinematografia. Oriundo da fotografia, já afirmou que suas obras trazem suas reflexões visuais. E são elas que o público poderá conhecer através dos 28 filmes, entre documentários e ficção, que integram a “Mostra Depardon Cinema” que acontece no Centro Cultural do Banco do Brasil do Rio de Janeiro e de São Paulo entre 3 a 28 de janeiro de 2018, à tarde. Produzidas entre 1969 e 2017, na seleção estão obras de destaque de sua carreira entre elas, 12 Dias, seu último filme exibido no Festival de Cannes desse ano.

A Mostra contará com a presença excepcional do Raymond Depardon no Brasil de 16 a 22 de janeiro para participar de debates e encontros com o público brasileiro.

A mostra é parte da retrospectiva em homenagem ao fotógrafo e cineasta francês que conta ainda com a exposição “Un moment si doux” em cartaz no CCBB do Rio de Janeiro até o dia 5 de fevereiro. O evento tem realização do Centro Cultural do Banco do Brasil, patrocínio do Banco do Brasil e do Ministério da Cultura por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, apoio da EDF Norte Fluminense e da Embaixada do França no Brasil. A produção é da Bonfilm.

Curtas, médias e longas-metragens compõem a Mostra. Entre os filmes sobre o universo psiquiátrico estão San Clemente, Urgences, e 12 Dias, o último filme dele que estava em seleção oficial no Festival de Cannes 2017. O mundo camponês está presente em três longas da série Perfis Camponeses, entre 2000 e 2008; o Chade em La captive du désert; o sistema judiciário em Presos em flagrante e Instantes de audiência; o mundo político em1974, Um presidente em campanha, e a vida cotidiana francesa em Jornal da França e Os habitantes, sempre com um olhar humanista.

Alain Bergala, crítico de cinema e professor na Fémis e Universidade Paris III, explica a forma como o artista se relaciona com a câmera e o objeto registrado: “Depardon não busca uma comunicação imediata e ilusória com as pessoas filmadas. Não procura uma cumplicidade com o espectador. Cada sequência filmada adquire imediatamente a dignidade de um documento sobre um fragmento do “humano” em toda a sua complexidade, e torna-se uma captação de um pedaço da realidade, sobre a qual ele se proíbe ter qualquer preconceito ou ponto de vista ideológico”.

Além do olhar de Depardon para os diversos temas, o público poderá conhecer também um pouco de seu autor. No curta de 2005, Alguma novidade em Garet, o diretor e seu irmão conversam sobre seus pais e seu trabalho na fazenda da família que é posta à venda. Já em Un moment si doux, de 2013, traz uma entrevista do cineasta sobre a exposição Un moment si doux.

Além da exibição dos longas-metragens, haverá uma palestra sobre a cinematografia de Raymond Depardon em janeiro com data e horário a ser confirmado tanto no CCBB do Rio de Janeiro quanto no de São Paulo. A entrada é gratuita com distribuição de senhas uma hora antes.

A exposição de fotografias, que faz parte da retrospectiva da carreira de Raymond Depardon, fica em cartaz  no Rio de Janeiro até o dia 5 de fevereiro, e traz 170 imagens em cores e dimensões variadas entre paisagens, autorretratos e personagens de diferentes países da Europa, África e América Latina, incluindo o Brasil. Produzidas entre 1950 e 2013, sendo a maior parte inédita, as imagens estiveram expostas entre 2014 e 2015 no imponente Le Grand Palais, em Paris, no museu MUCEM, em Marselha, e, recentemente, no Centro Cultural Recoletas, na Argentina. O trabalho do fotógrafo Raymond Depardon foi consagrado com inúmeros prêmios no mundo inteiro: Gran Premio Nacional da Fotografia, César do Melhor Documentário, Prêmio Louis Delluc, entre outros.

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