Provavelmente seu primeiro contato com o nome dessa série foi um trocadilho seguido por uma piada com o nome dela. Ou talvez, você nem tenha ouvido falar sobre ela antes. Suburra, estreou na Netflix no dia 6 de outubro e teve seu lançamento ofuscado pelo início da fall season e o retorno de várias séries já conhecidas.

A série, ambientada na Itália, se passa antes da história do filme de 2015, que por sua vez adapta o livro de Giarcarlo de Cataldo e Carlo Bonini. No filme vemos um cenário de luta de poder em Roma, a partir da prisão de um gângster que operava uma máfia na prefeitura de Roma. Já os 10 episódios da atual produção se passam um pouco antes desse acontecimento, nos 20 dias entre o pedido de demissão do prefeito e a sua saída do cargo.

Dois núcleos estão em evidência na série: de um lado temos o alto escalão de Roma, formado pelo Vaticano que precisam lidar com um padre que foi flagrado em uma “suruba” (desculpem pelo trocadilho); políticos que entram na disputa para saber quem substituirá o prefeito, um construtor e sua esposa que é auditora e trabalha para o monsenhor da orgia. No outro núcleo, temos a disputa pelo poder e território da máfia, onde Aureliano, Gabriele e Alberto almejam a expansão do seu domínio.

Pegue House Of Cards, The Sopranos, Narcos, adicione o cenário italiano, bata no liquidificador e teremos Suburra. A produção ainda está longe de ser aclamada como essas que foram citadas, porém tem uma trama que cativa e prende o espectador. Os primeiros episódios se arrastam um pouco, talvez seja necessário um pouco de insistência para ser fisgado. Cada episódio começa com algo importante que irá ocorrer no final dele, essa estratégia de roteiro gera a expectativa no público e lhe prende até o desfecho de cada um.

As locações de Roma é um show à parte, nos fazendo navegar pelos diferentes ambientes, e conhecer um pouco mais da cultura italiana, a luta pelo poder, a cultura dos ciganos, e a vida nos guetos da cidade. O elenco ainda que não tão conhecido dão um show em atuação. Destaque para Francesco Acquaroli, que interpreta Samurai, um chefe da máfia que tem o controle das gangues e dos políticos através de subornos.

Suburra supõe mas não crítica, abraça as metáforas sem esquecer que é uma obra de ficção. Há de se ressaltar que é preciso ter coragem para atacar, expor e criticar poderes tão estabelecidos e intocáveis como o são para a sociedade italiana. É uma ótima série para quem gosta de dramas que envolvem o submundo do crime, máfias e thriller políticos, e dá início ao investimento da Netflix em produções europeias.

E para quem é brasileiro e se pergunta o porquê desse nome tão suscetível a trocadilhos, Suburra significa Favela em italiano e também é um vale localizado em Roma. Ah, e não precisa ter assistido ao filme para compreender a trama da série. É provável que não entre no hype, mas se você tiver sem séries para colocar em dia, adicione Suburra.

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