Foi em uma sessão das 16h30 (e, por isso, lotada de adolescentes aos berros em cada cena fofinha) que assisti “A Bela e a Fera” em seu dia de estreia. Poucos filmes me fizeram esperar tanto como este. E não é para menos: finalmente “gente de verdade” ia dar vida ao desenho animado e história que mais gostei na infância. Muitas pessoas foram com esta expectativa e, neste sentido, o filme alcança o objetivo.

Não é mistério que a Disney sabe contar histórias como poucos, e a adaptação clássica que fez em 1991 de “A Bela e a Fera” (bastante diferente do tradicional conto de fadas francês) nos convence disso. Exatamente por isso é que fica claro o esforço da produtora em remontar (literalmente) as passagens, tornando o longa o mais fiel possível à produção clássica – o que parece ser a “fórmula do sucesso” das adaptações do estúdio. Se por um lado os fãs comemoram cada semelhança, os mais resistentes criticam a mesmice e a pouca inovação criativa.

Emma Watson traz uma Bela muito convincente e sem exageros. A “novidade” fica por conta das “pitadas” pós-modernas de ode à mulher segura, forte e independente – tão em voga nas personagens femininas do cinema atual. O núcleo da personagem com os moradores do castelo da Fera é desenvolvido de forma doce e gradual, em uma relação que alimenta os anseios de libertação das duas partes: o dela, por algo além da medíocre aldeia natal; o deles, pelo fim do feitiço.

O outro núcleo, que também merece destaque, é o de Gastão e seu fiel amigo Lefou, que conquistam o público pela comicidade da auto estima exagerada do primeiro e a adulação apaixonada e cega do segundo. Eles trazem boa parte do alívio cômico, mesmo em momentos de maior tensão da narrativa.

Se o elenco “de carne e osso” não deixa a desejar, o estranho no filme é exatamente a representação visual do fantástico – o que, em se tratando de uma história que tem como base tais elementos, é desapontador. A Fera e seus serviçais enfeitiçados tem personalidades cativantes, mas graficamente mantém praticamente a mesma expressão facial o tempo inteiro.

Encantador e respeitoso com a nostalgia do público, “A Bela e a Fera” consegue divertir e emocionar sem ser enfadonho em suas 2 horas de duração.

Fernanda Paiva

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