Os anos 50 e 60 foram marcados pela corrida espacial entre os EUA e Rússia. Não era uma boa época para os negros nos EUA, muito menos para as mulheres. E se você fizesse parte dos dois grupos então, as coisas não seriam nada fáceis. Esses aspectos sociais preconceituosos e segregacionistas atingiam até mesmo a emblemática NASA. Nessa época existia na Agência Espacial algo chamado “computador humano”, mulheres negras que faziam cálculos e análises de trajetórias. Isso mesmo, não pessoas, computadores humanos.

É dentro desse contexto que conhecemos a vida de três belas mulheres essenciais aos Estados Unidos durante a corrida espacial: Katherine G. Johnson (Taraji P. Henson – Empire), Dorothy Vaughan (Octavia Spencer-Insurgente) e Mary Jackson (Janelle Monáe). Baseado no livro homônimo (Hidden Figures), de Margot Lee Shetterly, o filme é dirigido por Theodore Melfi (Um Santo Vizinho) e produzido pelo cantor Pharrel Williams, que também assina a trilha sonora.

O principal foco do filme é a vida de Katherine Johnson, que desde a infância é considerada um prodígio na matemática, passando a ter ainda mais destaque na NASA, quando o chefe da Agência, Al Harrison (Kevin Costner), a chama para ser seu computador. Harrison se torna um mentor para Kath e um dos únicos do local que não se importa com a diferença de cor entre eles. Dorothy é a “supervisora” (ainda que não possua esse cargo formalmente) das mulheres “computadores”, que se sente ameaçada com a chegada das potentes máquinas da IBM, e precisa correr para aprender a manuseá-los antes que algum homem o faça e tome seu emprego. Já Mary tem o sonho de se tornar engenheira da agência, levando seu sonho ao juizado para solicitar a participação de um curso de pós-graduação, até então só ofertado para brancos.

Um dos pontos fortes da produção é que a narrativa não trata as protagonistas como meras vítimas do preconceito, mas sim destaca que suas conquistas só foram possíveis porque elas não pararam diante dos obstáculos que surgiam, mas lutavam em busca de seus ideiais. Essa máxima ganha ainda mais força quando refletimos que o filme é baseado em fatos reais, algo que o elenco não deixa passar despercebido, trazendo às telonas toda a carga e garra que as personagens exigem. Por incrível que pareça, apenas Jim Parsons (The Big Bang Theory), não traz nada de novo, parecendo ser apenas uma versão mais centrada de seu personagem Sheldon.

Em épocas de #OscarSoWhite, Estrelas Além Do Tempo dá força ao grito contemporâneo de “não a segregação”, não somente nos anos 50 e 60, mas também nos tempos atuais, a segregação e o machismo, embora muitas vezes velados, ainda subsistem.

O filme concorre ao Oscar de Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado e Octavia Spencer concorre a Melhor Atriz Coadjuvante. A cerimônia acontece no próximo domingo, dia 26 de fevereiro e aqui no Brasil será transmitida pelo canal TNT a partir das 21h.

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