Baseado na autobiografia Highest Duty, escrita por Chesley Sullenberger e Jeffrey Zaslow, Sully narra a incrível história do pouso bem-sucedido de uma aeronave norte-americana no rio Hudson, em Nova Iorque.  O incidente ficou conhecido como “O milagre do rio Hudson” e teve repercussão na imprensa internacional.

O longa conta a história do pouso forçado realizado pelo capitão Chesley Sullenberger após seu avião colidir com pássaros pouco após a decolagem. Mais que focar no acidente em si, o filme narra o escrutínio, para não dizer perseguição, pelo qual o piloto e copiloto passaram nas mãos do NTSB (departamento nacional de segurança no transporte), que buscava culpados para o incidente que provocou a total destruição da aeronave, ainda que nenhuma morte.

Conhecido por explorar a coragem do homem comum, Eastwood encaminha o raso roteiro de Todd Komarnicki em uma perspectiva sóbria e realista, optando por focar na humanidade do protagonista, ainda que, contraditoriamente, seja justamente o fator humano que esteja em julgamento pelo NTSB. Sem torná-lo um mito a ser idolatrado, mas sim alguém que apenas reconhece a responsabilidade da situação, Clint atribui à bravura de Sully diversos aspectos verossímeis que fazem com que os espectadores desenvolvam ainda mais admiração pelo piloto.

Com oscilações entre dúvidas e certezas, podemos reconhecer na interpretação de Tom Hanks as mais profundas agonias vividas pelo capitão nos momentos em que sua honra e carreira eram postos a prova. Com frases profundas e significativas, passando longe dos clichês, podemos até mesmo refletir o próprio sentido de sucesso estabelecido pela sociedade em cenas como, por exemplo, quando o piloto questiona com sua esposa o fato de sua carreira de 40 anos sem incidentes ser marcada justamente pelo voo que “deu errado”.

Além da brilhante interpretação de Hanks, o elenco do filme é um show a parte, contando com nomes de peso como Anna Gunn, Mike O’Malley, Laura Linney e Aaron Eckhart que dão um verdadeiro show de interpretação e tornam a trama ainda envolvente.

A estreia de Sully no Brasil foi adiada devido ao trágico acidente de avião envolvendo a equipe de futebol brasileira Chapecoense dois dias antes.

Sem dúvida um show de direção e elenco, Sully é um drama daqueles filmes que lhe prendem na cadeira do início ao fim. Apesar da fotografia um pouco sem saturação e do enredo raso, o longa entrega o que promete: uma obra que retrata os feitos de um verdadeiro herói da vida real. Vale a pena conferir.

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