Para nossa alegria (rs), a Disney parece  decidida em romper cada vez mais com o tradicionalismo hollywoodiano e se mostrar mais aberta à narrativas que quebrem paradigmas cinematográficos. Nos dois últimos filmes de Star Wars, por exemplo, tivemos mulheres decididas e fortes como protagonistas, que não deixaram nada a desejar em relação a quaisquer personagens masculinos. E agora Moana vem para quebrar mais algumas dessas regras, só que dessa vez no campo da animação. Se você esperava que a nova princesa da Disney viesse em uma carruagem, com aparatos reais, bons modos, vestidos luxuosos ou com uma história romântica que terminaria com um beijo do príncipe encantado, você está bem enganado.

A sinopse oficial retrata Moana Waialiki como uma corajosa jovem, filha do chefe de uma tribo na Oceania, vinda de uma longa linhagem de navegadores. A questão é que sua tribo abandonou as grandes navegações e esqueceu-se de suas orignes. Sendo assim, Moana parte em uma aventura mar adentro para ajudar sua tribo e descobrir mais sobre sua história.

Cá entre nós, a verdade é que a Disney está novamente em bons ventos no mundo das animações. Se os anos 90 foram marcados por A Bela e a Fera (1991), Aladdin (1992), O Rei Leão (1994) e Hércules (1997), a década atual com certeza está sendo marcada por Frozen (2013), Zootopia (2016) e Moana (2017). Essa mistura do tradicional com o novo que conferimos na nova produção é marcada pela direção de Ron Clements e John Musker, os mesmos responsáveis por trazer as adaptações dos contos de fadas A Pequena Sereia (1989), Aladdin (1992), Hércules (1997) entre outros.

E, se estamos falando do contraste entre tradicionalismo e atualidade ,não poderíamos deixar faltar o principal: a parte musical. Moana não só se estabelece como um excelente musical, mas ainda traz consigo representatividade e saudação ao povo polinésio. As letras de Lin-Manuel Miranda (conhecido pelo musical Hamilton) captam a essência dos personagens com os ritmos oriundos da cultura local.

A riqueza de detalhes técnicos em Moana é de deixar até mesmo o público mais exigente boquiaberto. A perfeição na finalização do filme chega ao ponto de passar a sensação exata do cabelo ao vento e da água do mar, fazendo com que mergulhemos fundo com a princesa em sua aventura.

Além da ótima protagonista, o filme ainda conta com o icônico semi-deus  Maui, um metamorfo cheio de tatuagens,  chamadas por ele de mini Maui, que além de trazer alívio cômico à produção, ajudam na compreensão de sua história. Somando forças à dupla destaque do filme, temos ainda o porco Pua e o galinho Heihei, que tem como função principal serem bonecos à venda para crianças, pouco contribuindo para narrativa, mas promovendo tambémalgumas piadas. Outro detalhe fantástico é que no filme o mar também tem vida própria, interagindo com os protagonistas todo tempo. O humor da produção é bem dosado e contenta desde o público mais jovem aos adultos que não dispensam uma animação.

“Você é uma princesa. É a filha do ‘rei’ e tem um animalzinho, é uma princesa”, diz Maui.

Princesa ou não, Moana aceita quem ela é e mostra para sua tribo quem verdadeiramente eles são. Com chave de ouro, o ano de 2017 brinda mais uma animação para os novos tempos de glória nas animações da Disney.

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