A franquia Star Wars é um universo à parte quando se fala em cinema. Muito mais que fãs, a saga coleciona verdadeiros fanáticos no mundo todo, gerando um negócio que continua quebrando recordes financeiros a mais de três décadas. Portanto, não é para menos todo o frisson visto na internet nos últimos meses em torno do primeiro Spin Off da franquia.

Rogue One narra eventos que aconteceram imediatamente após a consagrada trilogia da década de 70, se situando cronologicamente entre os episódios III e IV. No filme, Jyn Erso (Felicity Jones), filha do famoso engenheiro do império Galen Erso (Mads Mikkelsen), é recrutada pela Aliança Rebelde para encontrar seu pai e com ele os planos estruturais da Estrela da Morte, arma imperial de destruição em massa.

Com um enredo bem cativante, o filme entretém do começo ao final, pecando apenas no excesso de passos necessários para consumação do plano original, o que pode acabar confundindo os espectadores mais desatentos. Entretanto, o final sacrificial do filme, a ausência do tão batido “romance obrigatório” e os (bem inseridos) elementos nostálgicos (Lorde Vader, Léia e R2 por exemplo) fazem do filme uma perfeita mescla entre o saudosismo inerente a franquia e as novidades que justificam a gravação de novos filmes.

Elementos como a Força e a própria existência dos jedis permeiam a narrativa, mas diferentemente dos outros filmes, não ocupam posição de destaque em momento algum. Entretanto, apesar de ter uma história “propria”, o entendimento dos fatos de Rogue One ajuda a compreender melhor o universo Star Wars é até mesmo as inclinações malignas do império.

Já aclamado pelos críticos e fãs como um dos melhores filmes da franquia, Rogue One impressiona por diversos aspectos. Diferentes do que estamos acostumados a ver, a produção tem fortes alternâncias de fotografia, hora mais escura, para enfatizar a sobriedade das cenas, hora mais clara e saturada, para que os embates militares se tornem ainda mais vivos e emocionantes. Outro destaque é o elenco. Apesar de nao apresentar muitos nomes de peso, o filme não só conta com boas atuações, como também com personalidades bem trabalhadas, aproveitando um pouco das características que consagraram a franquia. Os personagens incorporam desde tons mais saudosistas, como é o caso do humor ácido do droide K-2SO, uma clara referência a C-3PO, à tons mais inovadores e contemporâneos, como o da própria protagonista, que inicialmente é bem mais cética com relação a supostamente “clara” divisão entre o bem e o mal assumidos pela Aliança.

Para os mais entusiasmados, como eu, foram feitas cenas especiais: a aparição de Darth Vader apenas à luz de seu sabre vermelho, a anedota contada por C-3PO e inclusive a própria aparição de princesa Léia. Até os mais contidos sentiram um arrepio na espinha só de ouvir o som do sabre de luz.

A nós, fãs da Guerra intergalática mais famosa de todos os tempos, cabe apenas uma atitude (que inclusive presenciei na sessão em que fui): aplausos de pé. Que filme!

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